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Eusébio, Ceará, Brazil
Nasci no ano de 1940 e sou um velho espírita que vive no Brasil.
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sábado, 6 de setembro de 2014

Sacrifícios

Desde sempre a humanidade entendeu - por temor ou ignorância - que Deus requer sacrifícios dos seus filhos ou que, para agradar a Deus é preciso que se viva uma vida de sacrifícios. Chegou-se até admitir que as alegrias ou prazeres seriam contrários à vontade de Deus.

As celas de um convento, auto flagelos e as restrições alimentares não aproximam o homem de Deus.  Ao contrário, a alegria e a espontaneidade é que sinalizam o caminho para Deus. Jesus assim o explicitou tomando como exemplo as crianças: "Delas é o Reino dos Céus". 

Não fez isso, apenas, invocando as aspectos de pureza que são simbolizados pela criança, mas, também, pela alegria e espontaneidade que caracterizam a vida de uma criança. Via de regra, a criança é alegre, espontânea e muito avessa a qualquer ideia de sacrifício, de qualquer natureza.

Deus é amor, vida, alegria e realização! Todas essas qualidades podem ser identificadas numa criança. Ao contrário, dor, tristeza, preocupações, sacrifícios e culpas não são qualidades atribuíveis a Deus e nem, normalmente, à realidade de uma criança. Logo, elas espelham melhor o que agrada a Deus.

Os ensinamentos de Jesus podem ser resumidos em AMOR E PERDÃO. E essas são qualidades presentes na vida de uma criança.

Na própria Bíblia está dito, mais de uma vez, "Misericórdia quero e não sacrifícios!", em palavras atribuídas ao pensar de Deus.

O Espiritismo é rico em esclarecimento de que o homem cria o seu próprio sofrimento, no caminho do seu próprio aprendizado, através do resgate necessários dos equívocos do seu livre arbítrio, por atos de suas vidas pregressas, no curso da eternidade.

Portanto, estão equivocadas as pessoas que atribuem tristezas, doenças e castigos à vontade de Deus ou que sua ocorrência possa agradar a Deus.

Qualquer sacrifício só é válido na extensão do bem que pode representar para seu autor ou para a humanidade. Portanto, qualquer sacrifício só será útil se conduzir ao aprendizado e à elevação espiritual de quem o pratica ou daqueles que o cercam.

Me ocorre pensar em São Francisco de Assis cujo sacrifício de pobreza e dedicação religiosa é de todos conhecido. Nesse caso, o que me parece de grande valia mencionar é que o sacrifício de São Francisco, além de representar a renúncia aos bens materiais, ou seja, de propiciar o domínio sobre a tentação material, também, resultou em que S. Francisco dedicou a sua vida aos pobres e desvalidos, principalmente, aos enfermos.  Esse sim foi um sacrifício válido.

Mortificar o corpo, em si,  nenhuma valia tem. Representa, antes, um atentado contra o valioso corpo humano, cedido ao Espírito para expressar-se sobre a Terra.

Também, o retirar-se para local isolado e inóspito, está mais para um abandono da vida humana dada ao espírito pela bondade divina, para o seu progresso e progresso da humanidade.

Quem abre mão do seu interesse para cuidar de doentes ou de crianças desamparadas terá feito uma obra mil vezes mais importante do que o que mortifica o corpo ou gasta a vida em locais inadequados.

Entendo que devemos valorizar a vida e os nossos atos e nos esquecermos de qualquer ideia de sofrimento, tristeza e sacrifícios, além daqueles que as próprias circunstâncias da vida impuserem. Estes são advindo por débitos nossos.

Bom dia!


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terça-feira, 24 de julho de 2012

Sacrifícios

O sacrifício do homem em nada aproveita a Deus.

Toda provação ou sofrimento só terá proveito se resultar em aprendizado do Espírito que a suporta.

Muito do sofrimento humano constitui reparação, para o Espírito encarnado, por débitos acumulados em vidas passadas. Nenhum espírito vai pagar no inferno por seus erros e falhas, ao contrário, é-lhe dada a oportunidade de voltar à vida terrestre e, aqui, purgar o mal que causou.

Há sofrimentos da vida atual que são resultantes de escolhas atuais. Quem escolhe viver vícios e excessos pode colher males desse procedimento nesta própria atual existência. 

A história humana nos mostra que, por certo tempo, entre os religiosos, houve o entendimento de que sacrifícios e votos restritivos eram ações agradáveis a Deus. Acreditavam que o auto flagelo purificava o Espírito. Daí, certamente, derivou o costume das penitências para perdão dos pecados.

Conhecemos a história de vida dos santos religiosos e, em quase todos elas, está implícita a ideia de sofrimento e renúncia como forma de agradar a Deus.

Esse entendimento impregnou o entendimento de todas as pessoas. Até mesmo as crianças, na minha infância, repetiam as frases dos adultos, adaptadas ao mundo infantil: Ei! não quer comer não, quer virar santo? Ou ainda, não vem brincar com a gente hoje, quer virar santo?



Hoje temos melhor entendimento sobre a questão e sabemos que o arrependimento e a reparação das faltas são as portas para o perdão e para o reequilíbrio do Espírito.

Deus não se apraz no sacrifício, na punição e nem nas dores e sofrimentos que o homem atraiu para si no uso do seu livre arbítrio.

Nenhum sofrimento humano é castigo de Deus, mas sim colheita dos frutos semeados pelo próprio homem em suas muitas vidas, nesse caminhar de experiências e aprendizados, vivendo as muitas vidas que o conduzirão ao reino de felicidade para o qual foi criado.

Um sofrimento como o de São Francisco de Assis - jovem nobre que abdicou da riqueza e do fausto para se privar de todo prazer e conviver com os pobres e miseráveis - deve ser visto e até venerado como uma vitória dele sobre os sentidos. Deve ser visto como libertação do Espírito. Deve ser visto, também, como uma senda do melhoramento humano mediante a prática do bem.

Quanto de sacrifício libertador deve ser visto nas vidas de Sidarta (Buda), Madre Teresa de Calcutá, Irmã Lucia e Chico Xavier, para os quais os bens terrenos e prazeres da vida pouco representaram em vista do ideal de elevação do Espírito?

Se alguém se propuser a passar fome e sede por 1 mês, em praça pública, nenhum proveito terá obtido dessa ação se dela não resultou benefícios para si ou para a humanidade. O fato em si nada representou.

Diante do sofrimento presente, melhor obter dele o proveito a que o mesmo se destina.

O primeiro passo é o da aceitação, mediante o entendimento de que o sofrimento está permitido por Deus como forma de reparação e aprendizado. Representa a colheita do mal semeado, sabendo que Deus não abandona ao que sofre.

O segundo passo precisa ser o do perdão de si mesmo e dos terceiros envolvidos nos fatos originários da atual reparação.

O terceiro passo diz respeito ao sincero arrependimento, ao qual seria pertinente acrescentar a prática do amor e da caridade como forma de novo viver.

De resto, são pertinentes, para nossas vidas, as advertências do texto bíblico:


Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não sacrifício. Mateus 9:13.
Perto está o Senhor dos que tem o coração quebrantado.Salmos 34:18.

Eu cultivo a percepção de um Deus alegre que se realiza nos momentos de felicidade dos seus filhos, assim como, na vivência dos prazeres naturais para os quais fomos naturalmente predispostos. Fico com o Deus da beleza, da arte, da ciência, da alegria e da pureza que inspira todos os bons sentimentos.


Deus é alegria, é paz, é música, é felicidade...


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