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Eusébio, Ceará, Brazil
Nasci no ano de 1940 e sou um velho espírita que vive no Brasil.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Ave-Marias (Música)



Repasso o lindo presente que recebi do meu amigo Jô Abreu. São Ave-Marias (Músicas) de vários autores e intérpretes, num trabalho que lhe foi enviado por pinheirinhosb@gmail.com, sendo que não posso afirmar a autoria da elaboração dessa bela mensagem. Outro detalhe é que não consegui abrir as músicas por incompatibilidade do meu sistema, que espero resolver com o auxílio de um técnico: 


"AVE MARIA" POR VÁRIOS INTÉRPRETES
Escolha o seu intérprete favorito e clique! 
  Aaron Neville
  Agnaldo Rayol
  Albano Romina Power
  Andrea Bocelli
  Andre Rieu * Schubert
  Andre Rieu
  Andre Segovia
  Andy Williams
  Angela Maria & Pery Ribeiro
  Amigos * Sertanejos
  Auriz Barreira * Schubertze
  Ave Mundi Spes Maria Gregorian Chant
  Bach
  Barbra Streisand
  Beniamino Gigli
  Bethovem ( Voz )
  Bing Crosby
  Brittany Hunter
  Caio Mesquita * Saxofonista
  Carlos Gomes
  Carpenters
  Celine Dion
  Claude Barzotti
  Charles Aznavour
  Chitãozinho & Xororo
  Demis Roussos
  Enrico Caruso
  Ernesto Cortazar ( Ave Maria Bach )
  Executada no Piano
  Fafa de Belem 
  Fagner ( Gounod )
  First Offense
  Francisco Alves
  Gounod
  Gounod 1
  Gounod Coro
  Gregorian Chat
  Il Divo
  J. Connick Jr.
  Jesse Norman
  Joan Baez
  Joana
  Johnny Mathis
  Jorge Aragão
  José Carreras
  Kenny G
  Kiri te Kanawa
  Les Petits Enfants de Saint Marc * en Concert ( de Caccini )
  Luciano Pavarotti
  Maria Callas
  Maria Dion
  Maria Irene Paiva
  Maria Russel
  Missa Cantada Estilo Congoles
  Mozart Opera
  Nana Mouskourit * Gounod
  Nana Mouskourit * Schubert
  Nina Hangen
  Renata Tebaldi * Bach e Gounod
  Richard Clayderman
  Roberto Carlos & Pavarotti
  Roberto Carlos
  Sarah Brightman
  Sergio Chiavazzoli * Cavaquinho 
  Schubert
  Soundtrack
  The Mormon Tabernacle Choir
  Three Tenor ( Carreras, Domingo e Pavarotti )
  Valdir Azevedo
  Verd
  Vicente Celestino * Schubert
  Voz Ecoro Somma
  Vicente Celestino * Schubert
  Voz Ecoro Somma
  Ave Maria * ? 
  Ave Maria * ??

  Jacno * Ave Maria
  Jordan * Ambient Maria mix
  Jordan * Matadore Solo Acoustic mix
  Jordan * Spanish Hybrid mix
  Jordan * Sweaty Spanish mix
  Jordan * Thundertone mix


  Agnaldo Rayol & Angela Maria * Ave Maria do Morro
  Altemar Dutra * Ave Maria
  Andrea Bocelli * Ave Maria do Morro
  Angela Maria & Cauby Peixoto * Ave Maria do Morro
  Anisio Silva * Ave Maria dos Namorados
  Coral cantores de Petrópolis * Ave Maria dos Navegantes
  Dalva de Oliveira * Ave Maria do Morro
  Fafa de Belem * Ave Maria dos Navegantes
  Francisco Petronio & Dilermando Reis * Ave Maria do Morro
  Jesse & Cascatinha * Ave Maria do Sertão
  Oswaldo Montenegro * Ave Maria de todas as Seitas
  Maria Bethânia * Ave Marias ( Oração a Nossa Senhora )
  Raul Seixas * Ave Maria da Rua
  Silvio Caldas * Ave Maria

domingo, 4 de agosto de 2013

EU FIZ O CAMINHO DE SANTIAGO - Campo de estrelas, Compostela.

Eu fiz o Caminho de Santiago, ou seja, andei a pé, com mochila nas costas, por 34 dias, percorrendo a distância de 780 km, de St.Jean de pied-Port, na França, a Santiago de Compostela, na Espanha - no que se denomina de "Caminho Francês". Isso ocorreu na primavera do ano de 2006, quando eu já contava a idade de 66 anos.

Digo que, se eu fiz essa peregrinação, qualquer um é capaz de fazê-la sem receio, isto porque, além de não me haver preparado adequadamente, nunca fui um esportista ou adepto da ginástica. Até pelo contrário, adepto do bom garfo, sempre consegui estar acima de um peso mais adequado. Simplificando: gordinho mesmo!

Fazer o Caminho de Santiago era um ideal da minha esposa e eu, marido receoso de deixar a mulher sozinha, em terra estranha, andando por estradas que, por vezes, cruza lugares ermos, me propus a acompanha-la, nem que fosse para percorrer uma parte do caminho.

Além de despreparado para longas caminhadas, aliás, para qualquer tipo de esporte mais radical, levava o joelho esquerdo meio estropiado, já operado por duas vezes, portanto, pouco adequado para grandes andanças. Quase sempre caminhei com joelheira que amenizava um pouco as permanentes dores locais.

No primeiro dia já soube que a tarefa não seria fácil, principalmente, quando constatei que a minha mochila pesava muito mais do que o desejável para qualquer caminhante.  No caminho fui eliminando o supérfluo e até parte do necessário, o que resultou haver começado com 12 kg nas costas e terminado com apenas 3 kg. Através do Departamento de correios o peregrino pode enviar para Santiago, em posta restante, tudo que não precisará no percurso.

O primeiro trecho, com cerca de 28 km, consistiu em atravessar o maciço dos Pirineus, subindo a montanha pelo lado Francês e descendo, no outro lado, na Espanha. Providencialmente, dividi o trecho em duas etapas, pernoitado na última pousada da subida, no lado Francês. Ainda assim, pensei que não conseguiria vencer aquele trecho. Parava a cada cem metros andados, sempre pensando em desistir, embora tantos peregrinos passassem por mim conversando alegremente, como se estivessem num piquenique.

Chegamos à parte mais alta dos Montes Pirineus e, a partir dali, iniciaríamos a descida em terras espanholas, o que me afigurava de menor dificuldade.

A vista era algo extasiante. Campos verdejantes e picos que se alternavam em todo o espaço que a visão alcançava. As pequenas nuvens brancas insistiam em correr pelo céu azul, ora se elevando, ora baixando, quando então tocavam os picos e planícies verdes, parecendo neles depositar um leve beijo. Se fosse possível, teria ficado ali, seja pela beleza das paisagens, seja pelo cansaço que me dava a sensação de que não conseguiria, sequer, levantar-me da relva onde estava sentado. 

Um pouco mais à frente e já podíamos avistar o aglomerado de casas e prédios da Cidade de Roncesvalles, local que deveria ter sido o nosso primeiro pouso do Caminho Francês. Pensando que a descida era a parte mais fácil, renovei o ânimo e iniciei a descida para logo constatar que descer é muito mais difícil do que subir, além do fato de que a trilha, naquele local, é coberta de pedras soltas, o que me presenteou com cômicas quedas, com direito a pequenas descidas, quase na horizontal. Há um caminho melhor, mais longo... Mesmo por esse atalho, minha esposa não caiu nenhuma vez, levando-me a suspeitar que quedas é um problema muito afeito aos mais gordinhos.

Quando chegamos a Roncesvalles, a torneira de água fresca, no jardim da praça, me pareceu um pedaço do paraíso, o qual se completava com a grama verde sobre a qual deitei pretendendo não me levantar tão cedo, por absoluta impossibilidade. Acho que fiquei ali, deitado, por umas duas horas,  tempo também necessário para aguardar a abertura do escritório do primeiro albergue. 

Eu tinha a certeza de que não nascera para esportes radicais e nem para caminhadas de longa distância. Isso não obstante, encheu-me de orgulho haver vencido um dos trechos mais difíceis do caminho e o fato de haver recebido o primeiro carimbo em minha credencial de peregrino, nela estampado o selo do alberque, fato que já me tornava, oficialmente, um "Peregrino do Caminho de Santiago". 

Caminhar sem a mochila, após um banho que era como um "presente do céu", foi uma sensação que nem posso descrever. Sair à noite para um belo jantar, acompanhado por um delicioso vinho tinto, foi como colocar um fecho de ouro para a primeira etapa do Caminho, já vencida.

Após uma boa noite de sono, embalado pelo vinho e pelo maior cansaço do mundo, a ideia de parar por ali cedeu lugar ao otimismo de aventurar por mais um dia, até Zubiri. Afinal, não custaria nada tentar andar o pequeno trecho de montanhas da segunda etapa. Novamente, logo me arrependi da empreitada. No entanto, chegamos lá.

E foi assim, de dia em dia, de trecho em trecho, de jantar em jantar, de vinho em vinho, que cheguei a Santiago de Campostela, já então Peregrino Diplomado do Caminho de Santiago, com direito a menção nos registro oficial dos Anais do Caminho de Santiago. 

É certo que cheguei quase desmontando, mas cheguei: vitória mais da teimosia do que do espírito de aventura. Se não conseguisse essa façanha, teria perdido para minha esposa que fez o mesmo e, ainda, seguiu em frente, sozinha, até Finisterre, quase 200 km mais a frente de Santiago.

A maioria dos peregrinos faz esse complemento da caminhada até à ponta extrema do Continente Europeu sobre Oceano Atlântico. O peregrino mais autêntico depõe as armas - roupa e pertences - em Finisterre. Ali, joga fora tudo o que não lhe será mais essencial. Simbolicamente, o Peregrino se tornou uma nova pessoa e, assim, queima os despojos da antiga pessoa. Sai dali renascido ou, pelo menos, renovado. 

Finisterre, num determinado momento da história, significava o fim das terras conhecidas.

O Caminho de Santiago é um trajeto que nasceu como rota de peregrinação, dos cristãos católicos, estabelecida para venerar o Apóstolo de Cristo, Santiago (Maior ou mais velho), o qual teve para ali translado seus restos mortais. 

Esse sepultamento deu nome ao lugar, acrescido pela ocorrência de uma chuva de estrelas "meteoritos" que teria ocorrido na noite em que ali foram aquelas depositadas aquelas relíquias cristãs: Campo de estrelas, Compostela, Santiago de Campostela.

O Caminho de Santiago é hoje um marco turístico da Comunidade Européia para o qual acorrem milhares de pessoas, a cada ano, vindas de todas as partes do mundo. É um turismo histórico, religioso e, o mais importante, barato.

Apesar da minha idade de 73 anos, ainda cultivo um vago desejo de refazer essa caminhada, agora já sabendo que qualquer um conseguiria faze-la.

sábado, 3 de agosto de 2013

No meio das minas deixadas pela Guerra.


Hoje vou contar a experiência que vivi nas Cordilheira dos Andes, entre o Chile e a Bolívia, aonde estive na intenção entabular negócio de importação.

Estávamos na Cidade de Kalama, em pleno Deserto de Atacama, aonde, no dia seguinte, iniciaríamos a subida da Cordilheira até aos 5.450 metros de altitude, um local de extração de enxofre. 

Logo de saída, surpreendeu-nos o fato de que não há areia naquele deserto e sim um solo de uma espécie de pó de pedra e  cascalho, sem qualquer vegetação, salvo uma bola de massa cinzenta, que é uma planta que rola com o vento e cada dia estará em outro lugar. A chuva, como nos informaram, só ocorre, naquele local, por cerca de 20 minutos, em cada ano, em uma só vez. 

Nesse terreno, é possível ir em veículo para qualquer direção, o solo é firme embora solto ao mesmo tempo, por andar sobre os cascalhos. Nós iríamos num Jipe Bandeirante, fechado numa cabine de aço.  

Saímos logo pela manhã e o veículo seguia por um leito usual, uma estrada no cascalho demarcada pelo uso habitual.  Após uns 20 km de monotonia, sem nada para assinalar por diferente, chegamos ao local denominado "Vale de La Luna" onde a paisagem era típica do solo lunar, ali paramos para fotografar aquela beleza exótica. Um vale acidentado de pequenas elevações de pó e cascalho alternando com depressões do terreno.

Mais à frente chegamos a um Oásis onde havia palmeiras, algumas casas e uma escassa vegetação - São Pedro de Atacama. Paramos na única lanchonete para um refrigerante e para combinar um almoço para a hora da volta, já que a nossa ida paro o Alto da Cordilheira seria bem rápida com o potente Jipe, bem tracionado.  O fato é que, na volta, não haveria almoço algum pela simples razão de que não havia alimentos.  Uma refeição, naquele local, precisa ser encomendada com dias de antecedência, para as providências necessárias.

A partir dali era só subida da cordilheira. O jipe seguia na trilha-estrada de cascalho que ali parecia demarcada com muitos tambores, nos quais havia desenhos de caveiras.  A cada dez ou quinze metros surgiam novos tambores desenhados.  A explicação nem precisou ser solicitada, os dois homens que nos levavam explicaram que os tambores marcavam os locais onde estavam enterradas "minas terrestres", herança da última guerra entre a Bolívia e o Chile, pela posse daquele território, o qual representaria uma faixa de acesso ao mar, possível, para a Bolívia.  Explicaram que só demarcaram aquelas para a segurança de viajar de carro por ali, mas que poderiam existir muitas mais ainda não descobertas.

O jipe subia numa velocidade pequena e íamos apreciando as muitas serras nas quais adormeciam inúmeros vulcões.  Houve uma hora em que podiam ser identificados oito deles, a metade deles extintos e os demais adormecidos.  Era inusitado para mim e para os dois amigos, de São Paulo, que comigo estavam: De longe cercados pelos vulcões que, na nossa perspectiva poderiam explodir a qualquer momento e, de perto, cercados por minas terrestres que, igualmente, explodiriam, se fossem tocadas.

Por fim estávamos a 5.450 metros de altitude, num frio gostoso de uns quinze graus centígrados. Era verão e temperava variava entre quinze graus, de dia, e cinco graus negativos, à noite. A vista era maravilhosa e as montanhas tinham cores diferentes, que indicavam o tipo de minério nela predominante. 

Vimos as casas dos mineiros, pequenos quadrados construídos lado a lado, contíguos e sem janelas ou portas, para que melhor resistissem ao abalos dos pequenos terremotos, usuais naquela região. Numa dessa casas tomamos um chá preparado com folhas de coca, que é comparável ao mate brasileiro ou argentino.  Também nos foi oferecida a folha de coca para mastigar, usual entre os mineiros, para diminuir, o cansaço, a fome ou a sede. Experimentei, tinha gosto apenas de folha de mato e aumentava a salivação.

Vimos o local de processamento do enxofre que era o nosso interesse, tudo muito precário, que consistia em uma autoclave destinada a proceder a primeira purificação dos detritos e impurezas do minério, após retirado da mina, tudo a céu aberto. 

Vimos, no local, duas minas de água, sendo uma gelada e outra de água quase fervente, que rompiam do solo, lado a lado, e se misturavam poucos, metros abaixo. Outra coisa interessante era estar num local de pouco oxigênio, onde qualquer esforço de andar alguns metros já significa cansaço para nós não acostumados àquela carência de oxigênio. Um amigo caiu ao solo e logo se levantou dizendo que havia escorregado mas que, na verdade, como disse depois, simplesmente viu tudo escurecer e "apagou".

Até aí, não sabíamos que seria a descida dali que tornaria inesquecível aquela viagem. Além do fato de que para baixo todo santo ajuda, nossos guias e condutores resolveram tornar mais interessante a descida desde os 5.450m de altitude, morro abaixo, sobre o cascalho solto e com o veículo numa velocidade bem maior do que na subia. Lá de trás, víamos o marcador de velocidade altrnar entre 80 e 100 km/h o que, para mim, era uma temeridade, principalmente quando jipe saía de lado se arrastando sobre os cascalhos e chegando, relativamente próximos dos tambores fatídicos.

Cheguei a pensar: Acho que hoje é o fim da linha! 

Exceto pelo sacolejo e derrapagens, parecia-nos que eram os tambores que passavam correndo por nós, como uma fila de monstros prontos a nos despedaçar.

Os nativos riam e conversavam, certamente, sabendo da tensão por que estávamos os três vivendo lá atrás.  Certamente que, acostumados àquele trajeto, apenas se divertiam com o medo que que nos causavam.

Essa foi uma daquelas horas em que agradeci o passado e encarei o futuro com calma, do jeito que viesse. Nunca me apavoro, embora possa ter medo e receio.

Nós três, brasileiros, certamente que tivemos medos diferentes, mas cada um procurou ser mais macho que o outro e nem sequer tocamos no assunto depois, nem mesmo no bom churrasco que nos foi oferecido pelo proprietário daquele empreendimento.

Hoje tenho setenta e dois anos e já vivi o que considero uma boa expectativa de vida, entretanto, à época desses fatos, ainda tinha 45 anos e filhos jovens por criar.

Não concluímos nenhum negócio com os Bolivianos e Chilenos. De tudo restou apenas histórias para contar.