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Eusébio, Ceará, Brazil
Nasci no ano de 1940 e sou um velho espírita que vive no Brasil.

domingo, 1 de setembro de 2013

OS POSTS DO NOSSO BLOG

O número de visitas ao Blog ultrapassou de 25.000 entradas, quantidade que sequer poderia imaginar, quando iniciei essa página de conversação sobre o cotidiano e sobre a fé Espírita. Resta-me agradecer, como sempre, à bondade e carinho dos que passam por aqui.

Hoje, quero assinalar, com alegria, o post  ORAÇÃO PELO ENFERMO -http://espiritagracasadeus.blogspot.com.br/2012/09/oracao-pelo-enfermo.html - o qual registra o acesso de quase 3.000 pessoas/visitas, no período de 1 ano que se completa amanhã, dia 02-09-2013.

A acolhida desse texto foi uma agradável surpresa, principalmente, quando penso que está sendo um útil roteiro de prece pelos que sofrem e, também, quando admito que o preparei para atender a uma pessoa que me pediu lhe enviasse uma oração para o fim de orar pelo enfermo de sua família ou amigo de sua relação.

Eu acredito muito nessa relação com Deus e com o mundo espiritual e, portanto, na eficácia da oração para todos os fins e por todos os meios. Quando me refiro à oração, não me refiro aos meios e locais, embora o ambiente mais íntimo ou das igrejas, verdadeiras egrégoras para esse fim, pelo menos, como imprescindíveis à eficácia da prece.  Penso que a prece é muito efetiva nas 24 horas do dia, nos diversos locais e situações.  Gosto muito da prece durante os afazeres domésticos, de rotina, principalmente, quando se prepara alimentos para as pessoas pelas quais se ora.  As energias da prece ficarão incorporadas àqueles alimentos, então preparados. Serão como uma dose de efetivo remédio.


Quero ratificar que não me prendo a textos pré-elaborados quando se trata de preces, embora que possam ser utilizados com eficácia, mesmo porque dispomos de orações maravilhosas como a Prece de Cáritas, a Oração do Pai Nosso e outras que já se tornaram poderosos mantras religiosos.

Gosto da oração livre, pensada, falada e sentida, que emana do íntimo do ser, movida ou não por situações prementes de aflição ou angústia... Costumo dizer que adquire maior força aquela prece que emana do ser que se sente angustiado ou no "fundo do poço", como costumamos nos referir a algumas situações para as quais não temos solução ou controle.

Quanto mais a pessoa que ora entrega a Deus a solução dos seus problemas, mais o poder de Deus pode atuar direcionando as soluções possíveis e necessárias, naquela emergência.

Quando falo de oração, não estou me prendendo a crenças ou religiões ou à falta delas.  Qualquer religião conduz à fé e o demais é a condição pessoal, na relação com Deus, é o que conta.

Também, acredito que a oração potente pode emanar de uma pessoa sem qualquer crença religiosa, desde que tenha a fé na realidade inteligente do Universo, ou seja, que tenha uma fé esotérica.

Deus não é ciumento. Importa é o conteúdo de quem pede, isto é, o nível de elevação espiritual e entendimento da realidade universal.

Gosto muito de mencionar o incentivo bíblico de Tiago, a respeito da prece:

"A oração do justo pode muito em seus efeitos"
Tiago 5:16

Deus nos abençoe a todos os que temos fé, para que a consolidemos sempre mais e, aos que não a têm, da mesma forma que nós, para que lhes acrescente entendimento da realidade universal, nela contido o fator inteligente da criação e da evolução. 

Muito obrigado aos queridos seguidores e visitantes desse espaço.


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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Possessão e Obsessão

Li um excelente artigo no site da Rede Amigo Espírita, link abaixo, autoria de Paulo da Silva Neto Sobrinhodo qual retirei alguns trechos que reproduzem as posições de Allan Kardec sobre o tema Obsessão e Possessão. Eis o link para a leitura integral da matéria, a qual recomendo, por muito instrutiva e bem elaborada:




"473. Pode um Espírito tomar temporariamente o invólucro corporal de uma pessoa viva, isto é, introduzir-se num corpo animado e obrar em lugar do outro que se acha encarnado neste corpo?

O Espírito não entra em um corpo como entras numa casa. Identifica-se com um Espírito encarnado, cujos defeitos e qualidades sejam os mesmos que os seus, a fim de obrar conjuntamente com ele. Mas, o encarnado é sempre quem atua, conforme quer, sobre a matéria de que se acha revestido. Um Espírito não pode substituir-se ao que está encarnado, por isso que este terá que permanecer ligado ao seu corpo até ao termo fixado para sua existência material.”

474. Desde que não há possessão propriamente dita, isto é, coabitação de dois Espíritos no mesmo corpo, pode a alma ficar na dependência de outro Espírito, de modo a se achar subjugada ou obsidiada ao ponto de a sua vontade vir a achar-se, de certa maneira, paralisada?

“Sem dúvida, e são esses os verdadeiros possessos. Mas, é preciso saibas que essa dominação não se efetua nunca sem que aquele que a sofre o consinta, quer por sua fraqueza, quer por desejá-la. Muitos epilépticos ou loucos, que mais necessitavam de médico que de exorcismos, têm sido tomados por possessos”.

O vocábulo possesso, na sua acepção vulgar, supõe a existência de demônios, isto é, de uma categoria de seres maus por natureza, e a coabitação de um desses seres com a alma de um indivíduo, no seu corpo. Posto que, nesse sentido, não há demônios e que dois Espíritos não podem habitar simultaneamente o mesmo corpo, não há possessos na conformidade da ideia a que esta palavra se acha associada. O termo possesso só se deve admitir como exprimindo a dependência absoluta em que uma alma pode achar-se com relação a Espíritos imperfeitos que a subjuguem.
(KARDEC, 2007a, p. 282).

2) Out/1858 – Revista Espírita

Artigo “Obsedados e subjugados”, Allan Kardec:

5º Os Espíritos inferiores não se ligam senão àqueles que os escutam, junto aos quais têm acesso, e aos quais se prendem. Se chegam a imperar sobre alguém, se identificam com o seu próprio Espírito, o fascinam, o obsedam, o subjugam e o conduzem como uma verdadeira criança.

6º A obsessão jamais se dá senão pelos Espíritos inferiores. Os bons Espíritos não fazem experimentar nenhum constrangimento; eles aconselham, combatem a influência dos maus, e se não são escutados, afastam-se.

7º O grau do constrangimento e a natureza dos efeitos que ela produz marcam a diferença entre a obsessão, a subjugação e a fascinação.

obsessão é a ação, quase que permanente, de um Espírito estranho que faz que se seja solicitado, por uma necessidade incessante, a agir em tal ou tal sentido, a fazer tal ou tal coisa.

subjugação é uma ligação moral que paralisa a vontade daquele que a sofre, e o impele aos atos mais insensatos e, frequentemente, mais contrários aos seus interesses.

fascinação é uma espécie de ilusão produzida, seja pela ação direta de um Espírito estranho, seja por seus raciocínios capciosos, ilusão que engana sobre as coisas morais, falseia o julgamento e faz tomar o mal pelo bem.

8º O homem pode sempre, pela sua vontade, sacudir o jugo dos Espíritos imperfeitos, porque, em virtude de seu livre arbítrio, tem a escolha entre o bem e o mal. Se o constrangimento chegou ao ponto de paralisar sua vontade, e se a fascinação é muito grande para obliterar o seu julgamento, a vontade de uma outra pessoa pode substituí-la.

Dava-se, outrora, o nome de possessão ao império exercido pelo maus Espíritos, quando sua influência ia até à aberração das faculdades; mas a ignorância e os preconceitos, frequentemente, fizeram tomar por uma possessão o que não era senão o resultado de um estado patológico. A possessão seria, para nós, sinônimo da subjugação. Se não adotamos esse termo, foi por dois motivos: o primeiro porque implica a crença em seres criados para o mal e perpetuamente votados ao mal, ao passo que não há senão seres mais ou menos imperfeitos, que todos podem melhorar-se; o segundo porque implica, igualmente, a ideia de uma presa de possessão do corpo por um Espírito estranho, de uma espécie de coabitação, ao passo que não há senão constrangimento. A palavra subjugação reflete perfeitamente o pensamento. Assim, para nós, não há possessos no sentido vulgar da palavra, não há senão obsedados, subjugados fascinados. (KARDEC, 2001a, p. 267-268).

3) Jan/1861 – O Livro dos Médiuns

No capítulo XXIII:

240. A subjugação é uma constrição que paralisa a vontade daquele que a sofre e o faz agir a seu mau grado. Numa palavra: o paciente fica sob um verdadeiro jugo.

A subjugação pode ser moral ou corporal. No primeiro caso, o subjugado é constrangido a tomar resoluções muitas vezes absurdas e comprometedoras que, por uma espécie de ilusão, ele julga sensatas: é uma como fascinação. No segundo caso, o Espírito atua sobre os órgãos materiais e provoca movimentos involuntários. Traduz-se, no médium escrevente, por uma necessidade incessante de escrever, ainda nos momentos menos oportunos. Vimos alguns que, à falta de pena ou lápis, simulavam escrever com o dedo, onde quer que se encontrassem, mesmo nas ruas, nas portas, nas paredes.

Vai, às vezes, mais longe a subjugação corporal; pode levar aos mais ridículos atos. Conhecemos um homem, que não era jovem, nem belo e que, sob o império de uma obsessão dessa natureza, se via constrangido, por uma força irresistível, a pôr-se de joelhos diante de uma moça a cujo respeito nenhuma pretensão nutria e pedi-la em casamento. Outras vezes, sentia nas costas e nos jarretes uma pressão enérgica, que o forçava, não obstante a resistência que lhe opunha, a se ajoelhar e beijar o chão nos lugares públicos e em presença da multidão. Esse homem passava por louco entre as pessoas de suas relações; estamos, porém, convencidos de que absolutamente não o era; porquanto tinha consciência plena do ridículo do que fazia contra a sua vontade e com isso sofria horrivelmente.

241. Dava-se outrora o nome de possessão ao império exercido por maus Espíritos, quando a influência deles ia até à aberração das faculdades da vítima. A possessão seria, para nós, sinônimo da subjugação. Por dois motivos deixamos de adotar esse termo: primeiro, porque implica a crença de seres criados para o mal e perpetuamente votados ao mal, enquanto que não há senão seres mais ou menos imperfeitos, os quais todos podem melhorar-se; segundo, porque implica igualmente a ideia do assenhoreamento de um corpo por um Espírito estranho, de uma espécie de coabitação, ao passo que o que há é apenas constrangimento. A palavra subjugação exprime perfeitamente a ideia. Assim, para nós, não há possessos, no sentido vulgar do termo, há somente obsidiados, subjugados e fascinados.(KARDEC, 2007b, p. 320-321).

4) Dez/1863 – Revista Espírita

Um caso de possessão
Senhoria Julie

Dissemos que não havia possessos no sentido vulgar da palavra, mas subjugados; retornamos sobre esta afirmação muito absoluta, porque nos está demonstrado agora que pode ali haver possessão verdadeira, quer dizer, substituição, parcial no entanto, de um Espírito errante ao Espírito encarnado. Eis um primeiro fato que é a prova disto, e que apresenta o fenômeno em toda a sua simplicidade. […].

[...] Ele [o espírito] declara que, querendo conversar com seu antigo amigo, aproveitou de um momento em que o Espírito da Senhora A..., a sonâmbula, estava afastado de seu corpo, para se colocar em seu lugar. […].

P. Que fez durante esse tempo o Espírito da senhora A...? – R. Estava lá, ao lado, me olhava e ria de ver-me nesse vestuário.
(KARDEC, 2000b, p. 373-374).

5) Abr/1864 - O Evangelho Segundo o Espiritismo

Capítulo X – comentário:

6. Na prática do perdão, como, em geral, na do bem, não há somente um efeito moral: há também um efeito material. A morte, como sabemos, não nos livra dos nossos inimigos; os Espíritos vingativos perseguem, muitas vezes, com seu ódio, no além-túmulo, aqueles contra os quais guardam rancor; donde decorre a falsidade do provérbio que diz: “Morto o animal, morto o veneno”, quando aplicado ao homem. O Espírito mau espera que o outro, a quem ele quer mal, esteja preso ao seu corpo e, assim, menos livre, para mais facilmente o atormentar, ferir nos seus interesses, ou nas suas mais caras afeições. Nesse fato reside a causa da maioria dos casos de obsessão, sobretudo dos que apresentam certa gravidade, quais os de subjugação e possessãoO obsidiado e o possesso são, pois, quase sempre vítimas de uma vingança, cujo motivo se encontra em existência anterior, e à qual o que a sofre deu lugar pelo seu proceder. Deus o permite, para os punir do mal que a seu turno praticaram, ou, se tal não ocorreu, por haverem faltado com a indulgência e a caridade, não perdoando. […] (KARDEC, 2007c, p. 181).

6) Jan/1868 – A Gênese

46 - Assim como as enfermidades resultam das imperfeições físicas que tornam o corpo acessível às perniciosas influências exteriores, a obsessão decorre sempre de uma imperfeição moral, que dá ascendência a um Espírito mau. A uma causa física, opõe-se uma força física; a uma causa moral preciso é se contraponha uma força moral. Para preservá-lo das enfermidades, fortifica-se o corpo; para garanti-la contra a obsessão, tem-se que fortalecer a alma; donde, para o obsidiado, a necessidade de trabalhar por se melhorar a si próprio, o que as mais das vezes basta para livrá-lo do obsessor, sem o socorro de terceiros. Necessário se torna este socorro, quando a obsessão degenera em subjugação e em possessão, porque nesse caso o paciente não raro perde a vontade e o livre-arbítrio.

Quase sempre a obsessão exprime vingança tomada por um Espírito e cuja origem frequentemente se encontra nas relações que o obsidiado manteve com o obsessor, em precedente existência.

Nos casos de obsessão grave, o obsidiado fica como que envolto e impregnado de um fluido pernicioso, que neutraliza a ação dos fluidos salutares e os repele. É daquele fluido que importa desembaraçá-lo, Ora, um fluído mau não pode ser eliminado por outro igualmente mau. Por meio de ação idêntica à do médium curador, nos casos de enfermidade, preciso se faz expelir um fluido mau com o auxílio de um fluido melhor.

Nem sempre, porém, basta esta ação mecânica; cumpre, sobretudo, atuar sobre o ser inteligente, ao qual é preciso se possua o direito de falar com autoridade, que, entretanto, falece a quem não tenha superioridade moral. Quanto maior esta for, tanto maior também será aquela.

Mas, ainda não é tudo: para assegurar a libertação da vítima, indispensável se torna que o Espírito perverso seja levado a renunciar aos seus maus desígnios; que se faça que o arrependimento desponte nele, assim como o desejo do bem, por meio de instruções habilmente ministradas, em evocações particularmente feitas com o objetivo de dar-lhe educação moral. Pode-se então ter a grata satisfação de libertar um encarnado e de converter um Espírito imperfeito.

O trabalho se torna mais fácil quando o obsidiado, compreendendo a sua situação, para ele concorre com a vontade e a prece. Outro tanto não sucede quando, seduzido pelo Espírito que o domina, se ilude com relação às qualidades deste último e se compraz no erro a que é conduzido, porque, então, longe de a secundar, o obsidiado repele toda assistência. É o caso da fascinação, infinitamente mais rebelde sempre, do que a mais violenta subjugação. (O Livro dos Médiuns, 2ª Parte, cap. XXIII.)

47. - Na obsessão, o Espírito atua exteriormente, com a ajuda do seu perispírito, que ele identifica com o do encarnado, ficando este afinal enlaçado por uma como que teia e constrangido a proceder contra a sua vontade.

Na possessão, em vez de agir exteriormente, o Espírito atuante se substitui, por assim dizer, ao Espírito encarnado; toma-lhe o corpo para domicílio, sem que este, no entanto, seja abandonado pelo seu dono, pois que isso só se pode dar pela morte. A possessão, conseguintemente, é sempre temporária e intermitente, porque um Espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar de um encarnado, pela razão de que a união molecular do perispírito e do corpo só se pode operar no momento da concepção. (Cap. XI, nº. 18.)

48. - Na obsessão há sempre um Espírito malfeitor. Na possessão pode tratar-se de um Espírito bom que queira falar e que, para causar maior impressão nos ouvintes, toma do corpo de um encarnado, que voluntariamente lho empresta, como emprestaria seu fato a outro encarnado. Isso se verifica sem qualquer perturbação ou incômodo, durante o tempo em que o Espírito encarnado se acha em liberdade, como no estado de emancipação, conservando-se este último ao lado do seu substituto para ouvi-lo.

Quando é mau o Espírito possessor, as coisas se passam de outro modo. Ele não toma moderadamente o corpo do encarnado, arrebata-o, se este não possui bastante força moral para lhe resistir. Fá-lo por maldade para com este, a quem tortura e martiriza de todas as formas, indo ao extremo de tentar exterminá-lo, já por estrangulação, já atirando-o ao fogo ou a outros lugares perigosos. Servindo-se dos órgãos e dos membros do infeliz paciente, blasfema, injuria e maltrata os que o cercam; entrega-se a excentricidades e a atos que apresentam todos os caracteres da loucura furiosa.

São numerosos os fatos deste gênero, em diferentes graus de intensidade, e não derivam de outra causa muitos casos de loucura. Amiúde, há também desordens patológicas, que são meras consequências e contra as quais nada adiantam os tratamentos médicos, enquanto subsiste a causa originária. Dando a conhecer essa fonte donde provém uma parte das misérias humanas, o Espiritismo indica o remédio a ser aplicado: atuar sobre o autor do mal que, sendo um ser inteligente, deve ser tratado por meio da inteligência. (1).

49. - São as mais das vezes individuais a obsessão e a possessão; mas, não raro são epidêmicas. Quando sobre uma localidade se lança uma revoada de maus Espíritos, é como se uma tropa de inimigos a invadisse. Pode então ser muito considerável o número dos indivíduos atacados. (2).
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(1) Casos de cura de obsessões e de possessões: Revue Spirite, dezembro de 1863, pág., 373; - janeiro de 1864, pág. 11; - junho de 1864, pág. 168; - janeiro de 1865, pág. 5; - junho de 1865, pág. 172; - fevereiro de 1868, pág. 38; - junho de 1867, pág. 174.

(2) Foi exatamente desse gênero a epidemia que, faz alguns anos, atacou a aldeia de Morzine na Saboia. Veja-se o relato completo dessa epidemia na Revue Spirite de dezembro de 1862, pág. 353; janeiro, fevereiro, abril e maio de 1863, págs. 1, 33, 101 e 133.
(KARDEC, 2007e, p. 347-351).

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

VERDADES QUE SATISFAZEM

Os antigos já nos diziam: Não adianta tentar esconder o sol com uma peneira. 

O conhecimento amplia a visão. Novos horizontes se abrem aos que estudam e aos que anseiam pelas verdades lógicas.

Os minutos passam céleres. As horas se escoam Os dias se completam. Os anos se acumulam. É a vida que flui inevitável, inexorável. E muitos de nós, despreocupados ou preocupados com problemas imediatos, vemos o tempo que passa e leva com ele as oportunidades que não aproveitamos para a realização do amor e da caridade, meios que atenderiam ao interesse da alma, de aprender e evoluir. 

A vida que passa deve adquirir significado que transcenda ao plano físico, à aquisição dos bens materiais e à saciedade dos sentidos.

A alma se alimenta do amor, do perdão, da caridade, da beleza e de todo o prazer de realizar o bem para o grupo, para a comunidade e para a humanidade. Cultivar a paz e a harmonia já é uma forma de praticar o bem. 

Podemos admitir que há pessoas que apenas se movem no interesse pessoal e imediato. Onde não houver vantagens visíveis a usufruir, ali não vai o interesse delas. 

Tudo é vida e tudo é aprendizado. Em tudo há o proveito da experiência. Entretanto a vida oferece mais que obter a experiência, ela está prenhe de oportunidades para o crescimento dos seres eternos que somos - as nossas almas.

Não há sentido em viver com descompromisso, ao embalo de idéias que não correspondem à verdade. O horizonte do ser inteligente é a busca da verdade e do entendimento. Não devemos aceitar verdades impostas, ou seja, aquelas "verdades" que não tenham resultado do estudo, da lógica e do livre convencimento. 

Quando eu era rapazinho, apartado de indagações filosóficas mais profundas, costumava nutrir, como rota de fuga da realidade religiosa aprendida, na infância, o seguinte raciocínio: Eu não pedi para nascer, portanto, não tenho compromisso com uma vida que não pedi...  Deus sabe por que nasci e para onde me levarão as minhas próprias decisões... Agora reconheço que era um raciocínio fatalista que me isentava de responsabilidade maior diante da vida.

Eu nem de longe imaginava a vida como a bênção da oportunidade para o aprendizado e o crescimento do espírito. Comparava a vida como um fato corrente que se extinguiria e por cujos resultados eu pouco ou nada influiria. 

Como sempre gostei de ler e nunca de aceitar verdades prontas que não atendessem à lógica e a razão, acabei por admitir a verdade de que a vida não começa no berço e nem termina no túmulo. 

Inconformado com a carência de lógica no ensino que recebi, busquei uma verdade mais coerente com a razão. E foi no Espiritismo que encontrei o fio da meada que me conduzirá, cada vez mais longe no conhecimento, sancionado pela lógica e pela razão, numa filosofia que aceita a ciência e todo o conhecimento humano, como partes de um todo coerente e pleno de significado.

Eu sou daqueles que não enfiam a cabeça na areia diante do desconhecido, como o faz o canguru diante do perigo iminente. 

Ainda antes da idade adulta eu já questionava os ensinamentos religiosos que recebia:

  • Como Deus criaria tantas almas para mandá-las, simplesmente, para o inferno, obtendo uma pequena porção "os poucos escolhidos" para o gozo da felicidade?;
  • Como admitir que Deus criou o mundo - Adão e Eva - há menos de 6.000 anos, quando os fósseis arqueológicos nos indicam datas de milhares e milhões de anos da existência da vida na Terra?;
  • Por que Deus criaria um Universo incomensurável  - em tamanho e beleza - regido pela sincronia regida de leis de total inteligência, para colocar o homem, como vida única, habitando um pequenino planeta que não representa, sequer, um grão de pó, comparativamente ao tamanho desse mesmo Universo?;
  • Por que Deus teria criado o "diabo" para destruir a sua criação, pois ele sabia disso antecipadamente?
  • Por que Deus não destrói o "satanás e os seus anjos", já que tem o poder para isso?;
  • Por que uns nascem perfeitos e outros com corpos imperfeitos e inadequados?;
  • Por que uns nascem em ambiente que os levarão a uma vida fácil e de progresso e outros nascem à míngua de recursos, quase que, fatalmente, levados a um nível de vida inferior e de dificuldades?


E por aí vai, uma fieira de indagações para as quais não encontrava respostas ou, cujas eruditas respostas, não me satisfaziam, por carecer de lógica.

Graças a Deus encontrei a Doutrina Espírita cujas respostas me satisfazem plenamente e, ainda, me aponta um caminho para novas revelações no longo aprendizado de que careço.



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