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Espírita - Brasil

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Engolindo Peixe Vivo


Gosto muito de nadar, desde que em trechos curtos, águas calmas, piscinas ou recantos escolhidos de rios ou praias.

Sempre tive inexplicável pavor de água.

Quando criança, nem ousava colocar o pé dentro de um rio, parecia que as águas iam me puxar bem pro fundo e me levar.

Vai daí que ouvi aquela historinha de meninos de que se você engolir um peixe vivo, automaticamente, você aprende a nadar e nunca se afoga. Menino de interior, da roça, acreditava em tudo.

Num belo dia, estando sozinho à margem de um córrego, me ocorreu que era uma boa oportunidade para experimentar a receita de engolir o peixe vivo e aprender a nadar. Ali, no escondido, ninguém presenciaria o "mico".

Pegar o lambari foi tarefa fácil, tal a quantidade deles nadando por ali. Peguei uma folha de inhame bem larga e a mergulhei na água, logo havia alguns lambaris sobre ela. Levantei a folha rapidamente pelas pontas e lá estava o meu lambari preso na porção de água que restou no copo formado pela folha.

Até aí tudo bem. Era até bonito o lindo peixinho nadando ansiosamente para escapar. Bom, já tinha o peixinho vivo, agora era o caso de engoli-lo, sem mastigar, lógico, porque senão não teria engolido o bichinho vivo.

A água disponível para a tarefa era aquela mesma do córrego, cheia de folhas e talos em decomposição. Limpei o que pude daquela porção de água contida com o peixinho, mas aquela água não apetecia de jeito nenhum.

Deu vontade de desistir de aprender a nadar logo de uma vez.

Aí veio aquele pensamento que todo menino tem na hora da dificuldade:  "Afinal, você é homem ou não é homem?", porcaria de pergunta que obriga os garotos a fazerem tanta coisa contra a vontade...

Quase com raiva do peixinho, fechei os olhos e engoli o bichinho com aquela água asquerosa...

Engraçado! Ato contínuo me dei conta de que havia feito uma besteira... De repente, bateu lucidez.  Onde já se viu um peixe engolido, ainda que vivo, ensinar alguém a nadar!

Tardia constatação. Agora era segurar o enjoo para não vomitar, para não piorar as coisas.

Não aprendi a nadar, não tão cedo. O medo de água até aumentou.

A água que eu gosto mesmo é a da minha piscina salgada e a do meu chuveiro.

Meus netos gostam que eu lhes conte essas histórias de quando eu era criança. Divertem-se a valer. Acham engraçado quando eu lhes digo que eu era um menino bobo, gordinho, fraco e molenga. E que, por isso, tive que brigar muito para não apanhar o tempo todo. Digo-lhes que, brigando, pelo menos eu apanhava meio a meio.

Nunca tive avô para me contar historinhas... Que pena! Acho que perdi boas histórias...


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