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Espírita - Brasil

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Deus não Erra.


DEUS NÃO ERRA

"Se alguém te falar que você é um erro, não acredite.
Você foi criado por Deus e Deus não erra!"

Deus não erra!

Deus é Onisciente, sabe tudo, passado, presente e futuro. Deus é o tempo e toda a ciência.

Se alguém disser que Deus se arrependeu de algo, é balela! Isso seria atribuir a Deus falta de conhecimento do que ocorreria no futuro.

Somos perfeitos? A resposta é não!

Houve erro em criar seres não perfeitos?

A resposta também é não. É preciso notar que os homens não foram criados imperfeitos, como, às vezes se admite, fomos criados simples e incultos para evoluir e atingir a perfeição, pelo próprio esforço.

Se Deus quisesse criar seres perfeitos, teria criado apenas os anjos. Ao invés, criou homens, almas que caminham para a perfeição e que aos anjos se igualarão.

A quem cabe mais honra: Ao homem colocado no alto da alta montanha ou àquele que subiu encostas perigosas, faceando perigos e precipícios, para lá chegar vitorioso?

Da simplicidade saímos todos e ao saber chegaremos todos. No caminhar, no cair, no levantar e no desejo de evoluir estará a diferença entre os homens.


Cada um só depende de si mesmo. Jesus é a Luz e o Caminho, o caminhar é o esforço exigido de cada um.





quinta-feira, 30 de agosto de 2012

PELO AMOR OU PELA DOR

Gosto de escrever.

Gostar de escrever não me traz capacidade de bem escrever. Se mal escrevo, por culpa minha, mais demonstro  a limitada cultura geral que amealhei, quer por oportunidades poucas, quer por esforço que desdenhei.

Pelo lado pessoal, não tenho nada para mostrar, muito menos para ensinar.

Gosto de falar de espiritismo e, isso sim, julgo ter algum valor. Talvez aí uma virtude solitária de ocupar-me com algo sério, principalmente, porque desfaz o mistério do nascer, viver e morrer.

Toda a escuridão do mundo não extingue a luz de uma vela, ainda seja a menor que, perseverante, alumia ao seu redor.

Quando falo do espiritismo não quero, nem poderia, levar a alguém imagem ou fantasia do mundo astral, do sobrenatural. No fim, há uma só realidade, física e espiritual, unidas em única vida, selada e mantida pelo Criador de tudo, de todas as vidas.

Não há magias, não há milagres que apresentar, só estudo, razão e percepção. Ninguém vive no sobrenatural, mesmo porque tudo é natural, em Deus.

Das verdades espirituais, somente a alma atenta tira o devido proveito, ao seu jeito. Descobre das virtudes a fonte, obtém conhecimentos, alarga seu horizonte. Vê caminho onde antes só enxergava espinho.

Eu? Sou pessoa, sou gente, sou fraco, sou vil, sou nada. Sou apenas a alma que caminhando aprende, aspira, quase sonha. Almeja escapar do burburinho para se ilustrar e aplainar, caminhos por trilhar, nessa viagem entre estrelas, na ânsia de galgar, ou pelo menos, vislumbrar, a felicidade eterna, infinita, nos círculos elevados onde só amor habita.

Falta muito!

E como sei que falta muito!

Sei, porque ainda não aprendi a amar e perdoar, a dar a mão ao meu irmão, com ele caminhar e sua carga mais pesada ajudar a suportar.

Porque o egoísmo de possuir ainda vive em mim, um mal, fantasiado de virtude e de ideal. Usufruir, para mim, ainda é meta ou "status" por atingir.

Viver, para mim, ainda é graça a suplicar, como se morrer fosse condenação e não, simples curva do caminho, no mesmo caminhar, sempre em ascensão.

Anseio por sorte, riqueza, alegrias, poder, nobreza, fantasias desfrutar, até me esqueço que aqui estou para retificar o que antes deturpei, sentir a tristeza que antes dei, sofrer a dor que purga a dor que causei. Esquecido estou da colheita obrigatória, retificadora, compulsória.

Eu e muitos outros comigo, preferimos chorar diante do infortúnio do que compreender que o atraímos quando a outros igual sofrer infligimos, ainda, quem sabe, com uso claro da nossa vontade, mesclada, talvez, com ingredientes de crueldade.

Maldizemos quando devíamos bendizer o sofrimento que hoje faceamos, porta necessária para a felicidade que buscamos!

Ah! como é difícil viver quando se quer aprender!

No fim aprenderemos, pelo amor ou pela dor.


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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Antonio Pereira Leite - Alto Caparaó-MG

Gosto muito de escrever sobre os meus amigos especiais, quer como forma de homenagear-lhes a amizade que tanto prezo, quer para agradecer-lhes o muito que me ajudaram nas necessidades. Gosto do dito popular que afirma que os amigos são os irmãos que escolhemos. 

Antonio Pereira Leite, o "Seu Antonio Leite", como é conhecido, nasceu em Laranjal-Mg mas, desde os nove anos de idade, reside em Alto Caparaó, sendo hoje um dos mais antigos moradores. Quando chegou à Cidade, esta era, apenas, uma pequena vila no alto da serra.

Veio para morar em casa de desconhecidos, posto que já não tinha os pais em sua companhia para o criar. Aqui cresceu e aqui formou a sua família, com mulher e dez filhos.

Ele viu surgir as primeiras trilhas sulcadas com o tempo pelo pisar das mulas e pelo passar dos carros de boi. Essas trilhas deram origem às estradinhas barrentas, abertas por ele e outros pioneiros, a golpes de pás e picaretas, estradas essas que só eram transitáveis por jipes e carros tracionados em marchas reduzidas.

Com suas mulas, pelo alto das serras, fez o comércio de dos seus produtos rurais, desde o queijo e a rapadura até ao café e ao milho de suas colheitas. No retorno das transações, voltavam as mulas carregadas com os mantimentos, o sal e os remédios, preciosidades para todos que viviam isolados naquele cantão das Serras de Minas. Na época das chuvas, era comum um isolamento forçado de muitos dias ou meses, devido ao crescimento das águas nos leitos dos rios por vadear.

Enfim, com o dever de retirar da terra o sustento da prole, podemos dizer que o Seu Antonio é um exemplo vivo daqueles sertanejos, de têmpera de aço, para os quais as intempéries quase nunca lhes impunha perder um dia de trabalho, de sol a sol, no dizer bem mineiro.

Como outros desbravadores da região, ele também criou gado caprino, equino  e bovino, utilizando as abundantes pastagens dos altos das serras do Maciço do Caparaó, antes que essas  viessem a ser tombadas como Reserva Nacional. Os meandros daquelas serras, que assustam o forasteiro, eram como caminho de casa para o Seu Antonio, que ali enfrentou tempestades e carências, inclusive as temperaturas abaixo do zero grau, normais naquelas altas paragens, tudo para buscar os meios de criar a família. 

Com a criação do Parque Nacional do Caparaó foi a sua modesta casinha que veio a se tornar a primeira casa-sede administrativa do novo Órgão Federal.

De fala mansa e pausada, o Seu Antonio Leite é muito procurado para falar às crianças, nas escolas, sobre as origens da Cidade em que vivem e de como se implantou um dos principais destinos turísticos do Estado de Minas Gerais. Conta-lhes, por exemplo, que  foi no lombo das suas mulas cargueiras que os primeiros turistas, na maioria estrangeiros, subiram a serra para conhecer o já famoso Pico da Bandeira.

O Seu Antonio Leite é um arquivo vivo da história do lugar e sobre os moradores primeiros do antigo "Caparaó Velho ou Caparaó de Cima".

É uma delícia ouvi-lo, principalmente, em sua cozinha, à beira do fogão de lenha, tendo sobre a chapa de ferro um bule de café fumegante, delícia servida aos visitantes com a broa caseira preparada pela Da. Enedina, sua esposa.

Sua casa sempre foi parada obrigatória de estudiosos ou de quantos pretendiam saber algo da região, das suas serras, fauna, flora ou sobre a vida da Cidade. Suas narrações têm o sabor das coisas vividas, lembradas com perfeição e pormenores, por uma mente privilegiada que parece criada para contar histórias.

Eu tenho o privilégio de partilhar esse ambiente e nunca me canso dos "causos pitorescos" que ele desfia com prazer. É tão agradável e prazenteira essa convivência que a sua família logo parece ser, também, a nossa família.

Quase toda manhã, exceto sábados, quando vai ao culto de sua amada Igreja Adventista, ele se senta na frente de sua casa, na rua principal, e lá permanece horas "quentando o sol" e cumprimentando as pessoas que passam no rumo da sua lida diária. Em todos os passantes um sorriso e o cumprimento cordial: Bom dia, Seu Antonio, como vai!

Ele conhece quase todos os moradores e, quando passam jovens que não o cumprimentam, logo atalha: "Devem ser moradores novos, tem muita gente nova chegando para morar aqui no Caparaó". Diz isso como que lamentando tenha a cidade crescido e triplicado em moradores e vida econômica, em pouco mais de uma década, desde que o  Distrito se converteu no Município de Alto Caparaó.

O Sr. Antonio Pereira Leite é história viva da Cidade de Alto Caparaó, tem muitos casos, "causos" e fatos históricos para relatar. Por exemplo: Ele foi um dos guias requisitados pela Polícia Militar de Minas Gerais, Unidade de Manhuaçu, para guiar a soldadesca, pelos altos da serra, quando vieram no encalço dos famosos "Guerrilheiros do Caparaó".

A fama dos seus doces, mesmo havendo parado de fabricá-los há mais de dez anos, ainda é motivo para que os turistas parem e com ele gastem um "dedo de prosa".

Nunca ouvi dizer de alguém que dele não goste ou que com ele tenha tido rixas de qualquer natureza. 

Obrigado, querido amigo, por sua vida exemplar e pela honra que me dá ao me incluir entre os seus amigos.

Receba um abraço saudoso do amigo, distante,

Euleir Eller
FORTALEZA-CE



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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Ser Santo

Os santos que conhecemos chegaram até nós, como santos, através da religião cristã e muitos deles deixaram, efetivamente, exemplos dignificantes da figura humana que transcende e eleva o seu olhar para além das nuvens e das estrelas e contemplar o Criador. E, nesse caso, me vem logo à lembrança um como São Francisco de Assis.

Não se trata de questionar critérios, dessa ou daquela religião, para declarar que alguém mereça o título de santo, atenho meu raciocínio à individualidade do espírito agraciado com esse título, ainda, indagando sobre o que diriam, caso fossem consultados sobre a honraria que recebem. 

No entanto, sobre a santidade, diante dessa individualidade que é marca do Espírito, eu sempre me questiono:

- Quantos terão entrado nos portais da espiritualidade e lá foram recebidos, realmente, como santos?

- Quantos não terão percebido que se tornaram santos apenas para propósitos humanos? 

- Quantos não abririam mão dessa honraria para estarem mais confortáveis diante do Criador?

Apenas por hipótese: E se, por erro humano de julgamento, esse ou aquele santo não merecessem esse título? Será que se sentem confortáveis, ali no plano espiritual, sendo aqui venerados como luminares oferecidos aos aprendizes da Doutrina de Cristo?

Penso naqueles, nomeados santos, que se destacaram como chefes de exércitos os quais, em nome da fé, mataram muitas pessoas que rotularam como infiéis que deviam morrer. Será que eles se sentem realmente como santos, irmanados com Cristo?

Me arriscaria a dizer - apenas pelo critério humano - que há homens santos que não foram santificados. Me refiro àqueles que falaram demais, ouviram demais e viram demais - para além do que admitia o catecismo - esses que ousaram penetrar mais fundo no conhecimento espiritual e que que estiveram à frente do seu tempo.

Quantos terão sido queimados nas fogueiras da mesma fé que professaram?  Estes nunca receberão títulos de santos, ainda que revisados fossem os processos eclesiásticos de suas condenações terrestres.


Giordano Bruno, nascido Filippo Bruno, da ordem dos Domenicanos, não teria sido um desses santos cristãos, caso houvesse se calado sobre as verdades espirituais e se contido adequadamente ao que seria conveniente? As idéias avançadas e diferentes desse Teólogo cristão não ficaram impunes, eis que atraíram a ira dos seus irmãos de fé que o excomungaram e, depois, o levaram à fogueira.

Giordano Bruno, instado a ouvir a sentença que lhe impunha o Santo Ofício e a Inquisição, deixou a frase que lapidou na força e na certeza de suas ideias:

"Talvez sintam maior temor ao pronunciar esta sentença do que eu ao ouvi-la".


Quantos desses que se queimaram e, cujas chamas crepitantes das fogueiras, ofereceram deleite aos fiéis de uma época triste... quantos não terão sido recebidos no céu, em glória, em alegria, em festa espiritual? 

Quantas das bruxas queimadas não terão sido bem vindas ao "Paraíso"?

Só Deus vê o bem ou a maldade nos corações dos homens!

Em outros tempos, apenas por esse bate papo, eu também seria condenado como herege e sujeito a virar churrasquinho.

A pergunta que fica é: Eu teria coragem de escrever? Teria a fé suficiente para sustentar que a vida física é só um passo dentro da eternidade e que todos caminhamos para Deus e a Ele chegaremos?

Felizmente que os tempos mudaram e que cada um, hoje, pode servir a Deus e buscar a verdade, segundo suas próprias convicções.


Deus é muito maior do que as religiões!



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sábado, 25 de agosto de 2012

Edição Melhorada

Hoje, encontrei no Fb uma foto da página "Encantos e Poesias" com texto de Fernanda Melo:





"Reescreva-se. 
Republique-se. 
Reinvente-se.
E transforme-se na melhor edição feita de você."


Fernanda Mello







Interessante!

Esse texto, que que exorta ao progresso do ser e nada tem a ver com a minha crença espírita, trouxe-me à consideração as muitas vidas que já vivi e, por consequência, ao fato de que sou hoje uma edição reescrita e muito melhorada do que já fui.

Certamente que já fui muito mais indigno do que agora sou, muito mais vil e egoísta do que essa personalidade que hoje apresento diante da vida.

Não me entristece o fato de não ser bom hoje e de ter sido pior ontem. Sou como o náufrago que olha pra frente e nada com as forças que tem, sem pensar se é forte ou fraco, bom ou ruim. Na vida que segue está a chance de repensar e de ser melhor.

O princípio inteligente que habita o meu corpo - que sou eu, a alma - foi criado simples, ignorante e sem virtudes. Tudo o que de bom possa hoje se conter em mim, terão sido introduzidos nos melhoramentos, revisões e repaginações de mim mesmo.

A vida é a oportunidade de fazer melhor.

Chico Xavier foi lapidar quando disse que não podemos modificar o nosso passado, mas podemos escrever o nosso futuro, o final que queremos para nós.

Essa oportunidade de reinventar e melhorar nossa próxima edição, começa agora, a cada dia, a cada momento de nossas vidas.

O segredo é viver com amor e alegria. Fazer o melhor em tudo, para nós e para todos. Criar o ambiente que queremos com paz e harmonia.

Considerar a todos como iguais, companheiros da mesma viagem, nessa eternidade que trilhamos.

Por exemplo, se não gritarmos, se não batermos portas, se colocarmos todas as coisas nos lugares devidos, já aí estaremos criando harmonia em nossos ambientes.

Querendo ou não, estamos sempre progredindo. Se vamos mais rápidos ou mais devagar, isso depende só de nós.

Ontem fomos seres piores do que somos hoje!

Já somos edições melhoradas e, ainda, podemos melhorar.

Vamos nessa! Vamos dar novo colorido, novo visual na nossa vida.

Nós merecemos uma  próxima edição melhorada e ampliada:




" Reescreva-se. Republique-se. 
Reinvente-s

Transforme-se na melhor edição feita de você."
Fernanda Mello






"Demorôôôôôôôôôôôôôôôôôôôô!!!!!"



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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A Alma e a Pedra

A pedra que rola,
Atrita e se esfola. Apenas sofre? Não!
Em vida adormecida, se esmera:
A beleza a espera.
Será notada, sentida,
Formatada, polida, desejada, querida.

Quase nem percebeu
Quando, do leito, se desprendeu.
Sem ciência ou consciência,
Na nova realidade, verdade.
Sentiu-se viva.
Viveu.

A individualidade,
Na natureza acolhida,
Impôs lenta caminhada
No viver da própria vida.
Muitos pontos de parada,
Chuva, vento, enxurrada.

Viu o sol e as estrelas.
Sentiu calor e frio.
Em viver, um desafio.
Entre sonhos felizes, risonhos,
Viu a esperança despedaçada.
Pisada, à beira da estrada.

A tempestade:
Tormento, dores, atritos.
Temores aflitos.
Na correnteza levada, lavada.
Flores, nas margens, campina ondulada.
Doce paisagens.

No sol que dá vida
Brilha a pedra, pelo tempo polida.
Do cascalho rejeitado e bruto
O fruto, a joia mais querida.
O sofrer, na natureza,
Só produziu encanto e beleza.

Criada inculta, a alma, uma centelha,
Recorda o caminho
E contempla as estrelas.
Agradece às feridas,
As arestas polidas.
Patrimônio precioso...

Para novas vidas.

Euleir Eller
Fortaleza, Ago/2012



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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

PECADO ANTERIOR AO NASCIMENTO


A doutrina católica aceita "o pecado original" que nos chega pelo pecado atribuído a Adão e Eva, no Jardim do Éden, no Paraíso. Também os evangélicos ensinam que o pecado veio ao mundo através de Adão e Eva e, dessa forma, nascemos em pecado...

O tema que escolhi hoje diz respeito ao pecado anterior ao nascimento. Não me refiro ao pecado de todo o gênero humano, assim como considerado nas doutrinas referidas, mas o pecado cometido pelo próprio indivíduo - o espírito - antes do nascimento físico, isto é, o pecado na individualidade do espírito que, encarnado, constitui-se na pessoa humana, na alma vivente, como costumamos designar.

A realidade do pecado anterior ao nascimento no plano físco é fato banal e corriqueiro na seara da Doutrina Espírita. Aceitamos as muitas vidas do espírito no caminho da própria evolução.

Com frequência, também pessoas não espíritas fazem afirmações do tipo "Eu devo ter feito algo muito grave para ter nascido assim ou assado..."  É a sabedoria popular arraigada que Reconhece, dessa forma, a lógica da Justiça Divina, manifesta na Lei da Ação e Reação. Cada um recebendo uma nova vida física, consoante os seus créditos e débitos, não podendo ser vista qualquer injustiça divina diante do fato de uns nascerem prejudicados e outros agraciados pelo "destino", em nova existência.

Entretanto o ponto alto onde pretendo chegar é o registrado na Bíblia, na passagem em João 9:2, episódio da cura do cego de nascença, quando os discípulos inquirem a Jesus sobre "Quem Pecou?" o que nascera cego ou seus pais, resultando claro que o cego teria pecado antes do próprio nascimento.

A pergunta que assume aspecto bastante controverso, em nossos dias, não causou espécie então e nem chegou sequer a merecer a atenção de Jesus, para que elucidasse qualquer falta de lógica naquele raciocínio. O Mestre responde simplesmente que, ali, não se configurava nenhuma daquelas hipóteses. Ou seja, apenas não era o caso, de pecado antes do nascimento, naquela situação.

As muitas vidas era tópico usual de conversas ao tempo de Jesus. Eis que Ele perguntou aos discípulos: Quem dizem os homens que eu sou? Uns dizem que és Elias, outros João Batista e outros algum dos profetas antigos... foi o teor da resposta. E a conversa flui, normalmente, sem nenhuma reprovação por qualquer disparate dito pelos discípulos ou "pelos homens".

Também no episódio em que os discípulos perguntam, passagem de Marcos 9:11: Por que dizem os Escribas que Elias virá primeiro? Outro diálogo  em que  Jesus se limita a responder que "Elias já veio e não o reconheceram".

Quem quiser pode torcer os ensinamentos e referências, à sua vontade, podem elaborar quantas teorias e interpretações quiserem. A verdade sempre triunfará ao final. Impossível será tapar o sol com a peneira.

Necessário vos é nascer de novo.

Com nossas virtudes e "pecados" de hoje, estamos construindo nossas vidas no futuro.

Tapem os olhos quem quiser.
A escuridão não significa que o sol deixou de existir.


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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Livro: Chico Xavier O Médium dos Pés Descalços

Hoje, acabei de ler o livro de autoria de Carlos A. Baccelli "Chico Xavier o Médium dos Pés Descalços". 

A minha impressão foi a de privar, também, do convívio amigo de Chico Xavier, a quem conheci, apenas, pelos preciosos livros mediúnicos que ele nos deixou. A leitura dos textos do Carlos A. Bacceli foi uma degustação deliciosa da intimidade mediúnica do Chico Xavier, acrescendo minha admiração e reverência por esse expoente maior da divulgação da Doutrina Espírita, no Brasil e no mundo. 

O que deixo aqui, de minha impressão, não oferece uma mínima ideia do que foi o prazer de folhear, página a página, esse livro que nos descortina um Chico Xavier para além dos livros psicografados e das mensagens consoladoras por ele recebidas. Daquelas páginas, se agiganta o grande Cristão, missionário  que o céu nos mandou para revigorar os ensinamentos aqui deixados pelo Mestre Jesus.

Peço licença ao autor para mencionar dois daqueles textos, ambos atinentes às homenagens e títulos outorgados a Chico Xavier, dos quais sobressai a sua humildade, atribuindo-os como mérito concedido, não a si próprio, mas à Doutrina Espírita:

Em Sacramento-Mg:

"... Esses Títulos de Cidadania, compreendemos muito bem, não têm sido dados a mim, que não os mereço; eles naturalmente são dádivas de legislativos generosos à nossa Doutrina Espírita, e eu não passo de um poste obscuro para a colocação do aviso  de que a Doutrina Espírita foi premiada com essas considerações públicas. Tenho recebido essa tarefa nesta condição; na condição de mero instrumento. Posso adiantar que nas ocasiões desses discursos, desde a primeira vez que me vi em contato mais intensivo com a nossa gente, reunida em maior número, eu me senti numa espécie de transe, que no momento eu não posso definir com muita clareza. Desde os programas últimos de televisão, sinto que o espírito de Emmanuel me ocupa a vida mental e física, dando margem a que eu esteja presente para assumir responsabilidade, e induzindo-me a falar, muitas vezes, na primeira pessoa, naturalmente para não alarmar aqueles que ainda não têm contato com a mediunidade.. Mas, francamente, nesses discursos eu sou médium; muitas vezes pergunto aos amigos o que é que eu falei, porque eu não tenho consciência exata disso."

Em Votuporanga-SP:

"Sinto-me como se fosse uma parede pobre, sobre a qual se pregasse um cartaz anunciando os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. O merecimento será da mensagem que atravessou vinte séculos e continua conosco, como sendo a nossa maior esperança.
Oxalá possa eu, como parede arruinada, permanecer de pé por mais algum tempo para servir sempre a Ele."

Paginas 258/9 "Chico Xavier o Médium dos Pés Descalços" - Autor: Carlos A.Baccelli.
Ed. Vinha de Luz Serviço Editorial-2011



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Inesperado


Inesperado

Qual cavalo novo, forte,
Indômito, fogoso,
Livre no mundo,
Eis que volta, inesperado.
De novo aspecto,
Vestido, circunspecto.
O mesmo safado...
Teimoso!
Vagabundo!

Ah! O amor de que falo,
Que parecia vencido,
Nem sofreu abalo.
Assalta a mente e o coração.
Ressurge engrandecido.
Outra vez, suas manhas,
Artimanhas, façanhas.
Alegrias, sabor, fantasias,
Quem resistiria?

Por que se entrega
Um coração sofrido,
Quase exaurido?
Eu, que estava atento,
Me surpreendo, me rendo,
Submisso, vencido.
Novas promessas
Juras de amor.
Palavras ao vento?

Não importa o quanto se faz ou se diz.
Na vida, importa muito, ser feliz.

Euleir Eller - 2012

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Obsessão e Desobsessão



Hoje, queria escrever algo sobre Obsessão e desobsessão.

Reputo esses temas como os mais recorrentes da nossa vida, aqui considerados os períodos vividos sobre a Terra como mera continuação da vida única do espírito, a qual, em sua quase totalidade, se desenvolve com a ausência de um corpo físico.

Preliminarmente, necessário se faz reconfirmar que os espíritos são livres para estarem onde lhes aprouver, salvo se portarem baixa vibração que lhes tornem impossível a vida nos níveis superiores da espiritualidade. Circulam eles, livremente, se o querem, pelo nível da Crosta Terrestre e, assim, encontram oportunidade de interferir com os encarnados pela via do pensamento e da sugestão.

Nesse vasto campo da relação entre os espíritos – encarnados e desencarnados – pode ocorrer a obsessão de uns sobre os outros, em ambas as direções, conquanto se tenha por mais comuns as obsessões de espíritos desencarnados sobre os humanos da Terra. Entretanto, não é menos frequente que os vivos da terra atraiam ao seu convívio os desencarnados de suas relações, seja por elos de amor, seja por elos de ódio ou ressentimento.

Muitos livros estão escritos com o enfoque desse tema - livros doutrinários ou romances da literatura espírita - inclusive, acompanhados de vasta produção artística deles decorrentes. 

Pouco teria para acrescentar ao que já escreveram, assim, me pareceu oportuno reproduzir alguns textos, escolhidos então, apenas pela clareza didática que portam, visto tratar-se de assunto muito amplo, sempre comportando estudos mais profundos:


"Obsessão:

A Obsessão é o domínio que alguns Espíritos adquirem sobre outros, quer encarnados ou desencarnados, provocando-lhes desequilíbrios psíquicos, emocionais e físicos É uma espécie de constrangimento moral de um indivíduo sobre outro. Pode ser de encarnado para encarnado, encarnado para desencarnado, desencarnado para encarnado e desencarnado para desencarnado. Essa influência negativa e irracional traz para as pessoas problemas diversos, o que as tornam enfermas da alma, necessitando de cuidados, como toda doença.

  

Se a Obsessão é uma doença da alma, quais são seus sintomas?

A obsessão apresenta sintomas tais como: angústia, depressão, perturbação do sono (insônia ou pesadelos), mau humor, desinteresse pelo estudo ou pelo trabalho, isolamento social, pensamentos suicidas, desregramento sexual etc. Não se segue daí, que se conclua que todos os portadores desses sintomas estejam obsediados. Há diversas outras causas, conhecidas da ciência médica, que podem provocar sintomatologia semelhante.”



“Desobsessão:

A desobsessão é um tratamento, segundo a Doutrina Espírita, de pessoas que estejam sofrendo de prejudicial interferência por Espíritos, encarnados ou desencarnados. Espíritos como nós que acabaram praticando o mal, mas como todos possuem capacidade de recuperação. A desobsessão trata a vítima e o obsessor.
Para o Espiritismo, não há demônios, espíritos dedicados eternamente ao mal. Esses obsessores são espíritos inferiores que influenciam alguém para praticar o mau, enviando-o pensamentos negativos. Espíritos superiores são imunes a esses fluidos pois não permitem que esses pensamentos os influenciem. Por isso aquele que não controla seus pensamentos e suas atitudes acaba se dando mal, sendo necessária a educação moral e o aprimoramento dos sentimentos para que os obsessores não retornem. Os dois precisam de ajuda e orações sinceras e com amor ajudam muito.
Na concepção espírita, portanto, o tratamento engloba o tratamento das duas partes envolvidas no processo: o obsediado e o obsessor. A desobsessão não se objetiva o "afastamento" puro e simples do obsessor pois se crê que isso nenhum efeito duradouro possua, sendo necessário conscientizar (esclarecer) tanto o encarnado como o desencarnado. Portanto, não é uma "guerra" entre os dois.
O espiritismo afirma reportar-se aos ensinamentos de Jesus que, sempre que afastava espíritos que perturbavam as pessoas, as alertava no sentido de não tornarem a errar para que não lhes acontecesse algo pior. Com base nesse ensinamento, parte importante do tratamento de desobsessão consiste da reforma íntima do obsediado e daqueles que lhe são próximos, sendo todos instados a rever seus conceitos de vida, seus hábitos e valores morais."


Como dito anteriormente, muita literatura está disponível sobre o assunto e, acima de tudo, sobressaí o que ensinam os Espíritos, nos textos básicos da Doutrina Espírita, compilados por Allan Kardec.

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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O PERDÃO


Difícil virtude essa a de perdoar aos que nos ofendem.

Geralmente, o nosso orgulho, ferido, nos coloca como um animal selvagem, ferido e acuado, pronto a revidar com uma ofensa maior do que a recebida. Quem nunca sentiu o sangue subir à cabeça por uma ofensa qualquer?

Seja a ofensa pequena ou grande, a raiva, o ressentimento e o desejo de revidar crescem dentro de nós e apenas são contidos pelas ciência das leis penais ou, quiçá, pelo tamanho do ofensor, visto que, mesmo ofendidos, sabemos avaliar muito bem o que pode nos ser desfavorável.

No entanto, Jesus nos fala de perdoar de forma ilimitada e enfatiza que Deus  perdoará as nossas ofensas, se e como perdoarmos àqueles que nos ofendem. E o mestre está falando do perdão de Deus e não do perdão que damos e seguimos à frente rememorando aquela história até ao fim da vida....

No ato de perdoar devem estar presente três facetas, igualmente importantes: 

Perdoar             - é o próprio exercício da nobreza de caráter;
Pedir perdão - é o exercício da humildade que tanto engrandece o Ser;
Perdoar-se      - é uma forma de eliminar a culpa. Despir-se da culpa é essencial para abrir a mente para novas experiências e aprendizados.


Reproduzo, a seguir, a bela página sobre o perdão, recolhida na coluna Bom dia - Marcos  Ianoski (BLOG):
http://marcosianoski.blogspot.com.br/2012/08/perdao-pai-perdoa-lhes-porque-nao-sabem.html


"PERDÃO
 
"Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." - Lucas, cap. 23 - v. 34
 
A falta de perdão, ou seja, o ressentimento acalentado é uma das maiores causas da
insanidade mental que acomete o homem.
O rancor é sentimento que acompanha o homem de vida em vida - é um espectro que
o assombra indefinidamente !
Perdoemos, entendendo que, de fato, os que nos ferem não sabem o que fazem.
Não fiquemos a ruminar vingança contra quem quer que seja.
Perdoar é esquecer e desejar que o outro seja feliz, mas desejar com toda a sinceridade.
Se for o caso, e na maioria das vezes é, tenhamos a humildade de pedir perdão a quem
magoamos.
Para seguir adiante, na direção da luz, o coração precisa estar livre.
Todo vínculo fora do amor é algema.
Não nos prendamos aos cipoais do caminho, nas infelizes questiúnculas nascidas do
amor-próprio exacerbado.
Quem se sente ofendido e magoado é magoado e ofendido em seu orgulho.
Toda pessoa que realmente se sente ofendida é porque estava necessitando de uma
quebra na coluna dorsal de sua vaidade.
Odiar é sempre a maneira de enlouquecer mais facilmente.
Sigamos, pois, adiante, não indiferentes e insensíveis, mas imperturbáveis ante os
obstáculos naturais de um orbe de provas e expiações.
Não esperemos ser ofendidos para perdoar, pois a árvore do perdão, o tempo todo, deve estar sempre carregada de frutos.
 
(Obra: Saúde Mental À Luz do Evangelho - Carlos A. Baccelli / Inácio Ferreira)"



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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A BUSCA POR DEUS

As religiões nos oferecem verdades, lendas, mitos, dogmas e "Artigos de Fé", quase tudo excluído do debate e da possível e honesta contestação. Difícil seria a tarefa de encontrar, em apenas uma delas, toda o  conhecimento em torno de Deus.

"A VIAGEM DE THEO" é o título de um livro de autoria de Catherine Clément, que  narra a hipotética história de um adolescente enfermo, desenganado pela medicina, ao qual uma tia oferece uma viagem ao redor do mundo, como último presente ao sobrinho e numa tentativa derradeira de encontrar a cura nos rincões da espiritualidade. Nesse mister, percorrem os lugares sagrados de cada religião e convivem com as pessoas representativas de cada um desses segmentos de manifestação da fé. 

Essa busca da ajuda divina através das crenças humanas - religiões, seitas, rituais e misticismo - representa, também, a busca transcendental do divino incutido em todas as almas e de cujas noções o homem intui um destino superior e imediato à vida física.

O livro aborda as religiões pelo lado da fé de seus adeptos e das esperanças que infundem, presente a questão da doença fatal que é pano de fundo da narrativa. É uma peregrinação aos lugares sagrados que enseja ao leitor a visão panorâmica das religiões desde o Judaísmo, o Islamismo e o Cristianismo até às crenças dos povos tribais da África e do nosso Continente, sem esquecer o sincretismo havido entre algumas delas.

Essa obra literária traz informação e conhecimento, ainda que rudimentares, de todas as religiões adotadas pelo ser humano.

Como Espírita, ressenti da ausência de um melhor enfoque do Espiritismo, suas origens e conteúdo, nele minimamente enfocados, quiçá por barreiras subjetivas da própria autora.

Citei, inicialmente, esse livro, apenas para chegar ao que queria escrever hoje: A minha própria e pequena viagem pelas religiões até aportar na Doutrina Espírita.

Geralmente, todos nascemos vinculados a uma religião. Pequenos vínculos já se formam pelo casamento religioso dos pais e pelo batismo dos filhos, ainda que as pessoas não cultivem a assiduidade aos respectivos templos.

Eu nasci de fervorosos pais evangélicos, membros da Igreja Presbiteriana do Brasil à qual fiquei então vinculado. Cresci ao som dos hinos e dormi embalado pelos sermões domingueiros, naqueles rincões de Minas Gerais.

Com sete anos de idade conheci da Igreja Católica, religião adotada no colégio interno para onde me levou a necessidade de viver e de estudar. Batizado e crismado, conheci sobre alguns santos e santas do Cristianismo. Como criança, dos mais bonitos eu gostava e dos mais feios eu tinha medo. Rezei terços pelos meus "muitos pecados" e acompanhei novenas em prol das almas que penavam no purgatório, pagando os pecados delas.

Aos doze anos retornei ao convívio dos meus pais e da igreja evangélica. Agora no Rio de Janeiro, na Igreja Presbiteriana do Bairro do Caju. Nessa época,  conheci o Pastor Dr. Bolivar Bandeira e sua família, pessoas maravilhosas que marcaram a minha juventude. Recordo-me, rapaz, como companhia solitária do saudoso Dr. Bolivar nos trabalhos domingueiros, nos hospitais e sanatórios do Caju, nos quais era Capelão dativo.

Minha chegada ao Espiritismo foi precedida por pesadas tormentas, no plano subjetivo. Na mente rugiam forte os ensinamentos contrários que, exatamente, condenavam o Espiritismo como "artimanhas de satanás". Foi difícil, muita culpa rolou até à libertação daqueles ensinamentos trazidos desde o berço.

Ajudou-me, nessa transição, o inquietamento que sempre nutri em face dos dogmas e artigos de fé das religiões, alguns dos quais, secretamente, nunca aceitei e outros que, levados à discussão familiar, rendiam-me censuras veementes, acrescidas e adornadas com as chamas ameaçadoras do "inferno".

No entanto, venceu a busca do saber e do entendimento. Venceu a liberdade de existir e pensar. Venceu o livre arbítrio utilizado na busca da verdade, da lógica e da razão. 

Apesar da expressiva idade, agora sou mais um aprendiz do Espiritismo. Chequei ao porto onde a crença resulta da fé que caminha ao lado da ciência e de todo o conhecimento humano.

É confortante saber da abertura doutrinária do Espiritismo, pronto a remover os conhecimentos que, em futuro, possam vir a ser comprovados como equívocos,   à luz da lógica e da razão. Não há verdades incontestes e nem impostas sem o devido entendimento.

A ética espírita assim se expressa desde a codificação procedida por Allan Kardec:

"É melhor rejeitar 99 verdades não comprovadas do que admitir uma só mentira"


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