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terça-feira, 20 de março de 2012

Eu Fiz o Caminho de Santiago (3)

O Caminho de Santiago, além de uma rota religiosa acatada e consagrada pela Igreja Católica, é também um marco do turismo, acolhido e incentivado pela Comunidade Econômica Européia.

Roncesvalle - Espanha
Em Roncesvalles, na Espanha, faz-se o primeiro contato com o aspecto místico e religioso do Caminho de Santiago. Aqui o principal Albergue é nas dependências anexas à Catedral. Os Padres rezam uma bela missa para receber e homenagear os Peregrinos. Até porque aqui é o ponto inicial do Caminho para os que o iniciam na Espanha.

Esse trabalho religioso tem uma certa pompa e nele se incluem participações dos peregrinos expressando-se nas suas línguas nacionais. São chamados todos os países ali representados por peregrinos. É um convívio muito fraterno. Os religiosos a todos abençoam para a jornada que se inicia. 

Esse cunho religioso será, também, alimentado em algumas cidades do Caminho. Nessas ocasiões, a fé assume o seu lugar de excelência na tradição desse Caminho que hoje se vê mais realçado pelo lado turístico que religioso. Em momentos assim, todos se sentem tocados pela "aura" de religiosidade que envolve o Caminho De Santiago desde a sua origem, nos primeiros anos do Cristianismo.

Em Roncesvalles ocorre o primeiro contato comunitário dos Peregrinos. Muitos se conhecem, se apresentam e se desejam "Boa Caminhada". Mesmo seguindo individualmente, muitas vezes esses peregrinos se encontrarão e se confraternizarão pelo Caminho e pelo sucesso já alcançado. 

Faltam 750 km de percurso. Muito vinho, "pulpo" e "bocadillos" serão consumidos e compartilhados até à chegada em Santiago de Campostela.

Em Zubiri
Saindo de Roncesvalles chegamos a Zubiri, ainda subindo e descendo montanhas. Se na subida dos Pirineus cheguei a desistir 100 vezes, nessa, aguardava apenas chegar a Zubiri para decretar a falência total. Despreparo é a palavra que ainda não disse.

Nunca se caminha o dia inteiro. Os 20 a 30 km percorridos diariamente são feitos quase todos pela manhã, até aproveitando o sol mais ameno. Lá pelas 14.00 hs muitos já estão despindo as mochilas e cajados e se entregando a um banho relaxante... tudo de bom que queriam naquele momento. Depois é saborear um almoço ou janta, sempre acompanhado de um bom vinho espanhol, o qual já consta do menu do peregrino que os restaurantes já têm no cardápio. A refeição sempre inclui vinho, água, pão e sobremesa, além do prato principal. O preço, por pessoa, em 2006 já na vigência do Euro, oscilava entre 7 e 10 Euros. Come-se muito bem pelo Caminho. Quem quiser pode optar por alguma das muitas iguarias da culinária Espanhola.

A cada manhã eu tomava a sofrida decisão de caminhar mais um dia...

Nesse nosso trajeto, encontramos japoneses, chineses e coreanos até gente provinda do Canadá, da Groelândia e da Finlândia. Uma verdadeira "ONU" de mochilas nas costas...

No caminho todos são amigos. Eu e Mimi caminhamos ao lado de brasileiros, argentinos, chilenos, colombianos, filipinos, canadenses, americanos, canadenses, peruanos, italianos, alemães, franceses e espanhóis. Pena que os amigos daqueles 30 ou 40 dias - amigos de aventura - retornam, cada um, ao seu cotidiano e deixam, apenas, doces lembranças das alegrias, percalços e comemorações naquela caminhada que foi, também, uma aventura e uma realização de cada um.


A língua da comunicação é a possível. Dos gestos à bondade de tradutores inesperados. Mas a verdadeira língua do Caminho é a língua da solidariedade. 


O Caminho de Santiago é um caminho da paz e da Fraternidade!


No terceiro dia de caminhada, de Zubiri a Pamplona, o trecho é relativamente pequeno... mas...

Estátua pitoresca em Huerta
A parada de hoje seria em Pamplona... mas não foi. Paramos em Huerta, uma linda cidade que nos encantou e de onde eu não conseguiria dar nem mais um passo de tão cansado que estava. O trajeto desse dia foi ótimo. Andamos por  campos verdes, em muitos trechos à margem de riachos e sem nenhuma montanha para subir. Entretanto, cansaço acumulado transformava em altos montes qualquer subidinha de 15 metros... Não me lembro estar alguma vez tão cansado em toda a minha vida.

A bela cidadezinha de Huerta, um excelente alojamento de estudantes, uma comida excepcional e o bom vinho de sempre foram os ingredientes ideais para nos repor as energias para a retomada da estrada no dia seguinte...


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