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quarta-feira, 21 de março de 2012

Eu Fiz o Caminho de Santiago (4)

Os primeiros quatro dias são os piores de toda a caminhada! Se o caminhante vence os quatro primeiros dias, já está pronto para o resto da jornada.

Preparo fisíco deficiente, mochila inadequada ou colocada de forma errada, calçados não amansados, são alguns tópicos que torturam o Peregrino. A eles se somam as intempéries: frio intenso, sol intenso ou chuva. A tudo isso é preciso acostumar-se.

Eu e minha esposa elegemos caminhar na Primavera européia. Os campos estavam verdes e coalhados de flores, há muita rosa silvestre na Espanha. As lavouras de cevada pareciam pinturas. Havia muitas frutas pelos campos. Os pés de cerejas carregados eram sugestivos para um novo descanso, colhendo as frutinhas diretamente no pé. 


Estátuas gigantes em Pamplona
Hoje é o 4o dia da nossa jornada. Saímos de Herta bem cedo e chegamos a Pamplona com as pessoas ainda começando suas atividades. Entramos pela  Cidade Velha "casco viejo" e atravessamos a Cidade até a saída para Cizur Menor nosso próximo destino.

Antes uma parada na Universidade - para carimbar as credenciais do peregrino. A "Credencial" é o documento que confere ao caminhante o "Status de Peregrino do Caminho de Santiago". Essa credencial deve ser carimbada em todas as cidades do Caminho, principalmente, naquelas onde o Peregrino pernoitar. Essa credencial será entregue na Catedral de Santiago onde o peregrino receberá o diploma oficial de Peregrino de Santiago.

A parada de descanso sempre incui renovar o estoque de água e, opcionalmente, tomar um café com leite bem quente para "esquentar" o frio. Para os mais comedores, como eu, um "bocadillo" também vai bem.  Ah! Ir ao banheiro, sempre que possível, é essencial já que, na estrada, já viu, né, é tudo improvisação...

Menos de 10 km à frente - pareceram 20 km - nos esperava a pequena Cidade de Cizur Menor e o acolhedor Albergue da Da. Carmem. Paramos lá.

Alguns albergues oferecem a opção da refeição ou permitem que os peregrinos preparem uma refeição comunitária, desde que tudo seja entregue limpo e arrumado, no final.  Nesse caso, compra-se os alimentos e prepara-se a refeição, tudo em conjunto, reteando as despesas no final. O vinho é item obrigatório. Se participa muita gente, isso vira uma festa, em muitos idiomas. Se são poucos os convivas, cria-se um ambiente coloquial - sempre com um vinho sobre a mesa -  e parece que estamos em casas de amigos que viemos visitar. 

Em Cizur Menor ocorria a segunda hipótese. Como ali não é um ponto de parada habitual, por ser muito próximo de Pamplona, havia poucos peregrinos. A simpática Da. Carmem, que adora receber hóspedes brasileiros, pela nossa natureza alegre e comunicativa, fazia com que nos sentíssemos como amigos queridos do Brasil e muito se referia a outros brasileiros que por ali passaram.

Almoçamos ali. Eu permanecia sentado à mesa quando minha esposa já lavava os pratos e as panelas utilizadas. Foi aí que a Da. Carmem usou daquela sinceridade espanhola e tivemos o seguinte diálogo:

- Qué passa? Tienes moléstia?
- No, no tengo, respondi.
- Entonces qué! Tienes las manos quebradas? 
- No, falei.
- Entonces, piensas que tu mujer es tu esclava?
  Yá! A limpiar los platos, hombre!

Depois de um incentivo desses fui rapidinho ajudar a lavar e enxugar vasilhas, bem quietinho, kkkk.

Para o jantar procuramos o restaurante indicado pela hospedeira. Sempre uma boa dica, o melhor é nunca improvisar.

Descansado e satisfeito e, ainda mais, encorajado pelo vinho habitual, fui dormir. O dia seguinte nos reservaria uma das melhores surpresas que tivemos no Caminho...


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