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Espírita - Brasil

terça-feira, 24 de julho de 2012

Sacrifícios

O sacrifício do homem em nada aproveita a Deus.

Toda provação ou sofrimento só terá proveito se resultar em aprendizado do Espírito que a suporta.

Muito do sofrimento humano constitui reparação, para o Espírito encarnado, por débitos acumulados em vidas passadas. Nenhum espírito vai pagar no inferno por seus erros e falhas, ao contrário, é-lhe dada a oportunidade de voltar à vida terrestre e, aqui, purgar o mal que causou.

Há sofrimentos da vida atual que são resultantes de escolhas atuais. Quem escolhe viver vícios e excessos pode colher males desse procedimento nesta própria atual existência. 

A história humana nos mostra que, por certo tempo, entre os religiosos, houve o entendimento de que sacrifícios e votos restritivos eram ações agradáveis a Deus. Acreditavam que o auto flagelo purificava o Espírito. Daí, certamente, derivou o costume das penitências para perdão dos pecados.

Conhecemos a história de vida dos santos religiosos e, em quase todos elas, está implícita a ideia de sofrimento e renúncia como forma de agradar a Deus.

Esse entendimento impregnou o entendimento de todas as pessoas. Até mesmo as crianças, na minha infância, repetiam as frases dos adultos, adaptadas ao mundo infantil: Ei! não quer comer não, quer virar santo? Ou ainda, não vem brincar com a gente hoje, quer virar santo?



Hoje temos melhor entendimento sobre a questão e sabemos que o arrependimento e a reparação das faltas são as portas para o perdão e para o reequilíbrio do Espírito.

Deus não se apraz no sacrifício, na punição e nem nas dores e sofrimentos que o homem atraiu para si no uso do seu livre arbítrio.

Nenhum sofrimento humano é castigo de Deus, mas sim colheita dos frutos semeados pelo próprio homem em suas muitas vidas, nesse caminhar de experiências e aprendizados, vivendo as muitas vidas que o conduzirão ao reino de felicidade para o qual foi criado.

Um sofrimento como o de São Francisco de Assis - jovem nobre que abdicou da riqueza e do fausto para se privar de todo prazer e conviver com os pobres e miseráveis - deve ser visto e até venerado como uma vitória dele sobre os sentidos. Deve ser visto como libertação do Espírito. Deve ser visto, também, como uma senda do melhoramento humano mediante a prática do bem.

Quanto de sacrifício libertador deve ser visto nas vidas de Sidarta (Buda), Madre Teresa de Calcutá, Irmã Lucia e Chico Xavier, para os quais os bens terrenos e prazeres da vida pouco representaram em vista do ideal de elevação do Espírito?

Se alguém se propuser a passar fome e sede por 1 mês, em praça pública, nenhum proveito terá obtido dessa ação se dela não resultou benefícios para si ou para a humanidade. O fato em si nada representou.

Diante do sofrimento presente, melhor obter dele o proveito a que o mesmo se destina.

O primeiro passo é o da aceitação, mediante o entendimento de que o sofrimento está permitido por Deus como forma de reparação e aprendizado. Representa a colheita do mal semeado, sabendo que Deus não abandona ao que sofre.

O segundo passo precisa ser o do perdão de si mesmo e dos terceiros envolvidos nos fatos originários da atual reparação.

O terceiro passo diz respeito ao sincero arrependimento, ao qual seria pertinente acrescentar a prática do amor e da caridade como forma de novo viver.

De resto, são pertinentes, para nossas vidas, as advertências do texto bíblico:


Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não sacrifício. Mateus 9:13.
Perto está o Senhor dos que tem o coração quebrantado.Salmos 34:18.

Eu cultivo a percepção de um Deus alegre que se realiza nos momentos de felicidade dos seus filhos, assim como, na vivência dos prazeres naturais para os quais fomos naturalmente predispostos. Fico com o Deus da beleza, da arte, da ciência, da alegria e da pureza que inspira todos os bons sentimentos.


Deus é alegria, é paz, é música, é felicidade...


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