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Espírita - Brasil

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A Igreja Dentro da Igreja



Eu já viajei por lugares lindos. Enumerá-los seria até difícil e, pior seria, se pretendesse escolher o mais belo ou o mais significativo. Costumo dizer que sou CIDADÃO DO MUNDO de tão à gosto que me sinto nos lugares aonde vou.

Alguns lugares nos marcam mais profundamente, até por motivos que não sabemos definir claramente.

Porciúncula
A Igrejinha de São Francisco de Assis - porciuncúla - foi um desses lugares significativos para mim. Não estou falando da bela igreja de São Francisco de Assis que está no alto da colina. Refiro-me à igrejinha que, segundo a tradição, teria sido construída no Sec. IV, por eremitas provenientes da Palestina e assumida por S.Bento no Sec. VI. Essa igrejinha veio a ser restaurada por São Francisco de Assis - Sec. XII - por suas próprias mãos, na sequência da uma visão, na qual lhe fora dito que teria ele a missão de "restaurar a igreja de Cristo". Está situada ao pé-da-colina, contida dentro da magnifíca Catedral de Sta. Maria Degli Angeli. Uma Igreja dentro de outra Igreja. A suntuosidade da Catedral esmaece diante da expressiva realidade da "Catedral da Fé", representada por aquela igrejinha.

Estar ali foi algo grandioso para mim. Mesmo não sendo católico, a emoção me levou às lágrimas, diante da esplendorosa energia da fé que ali, ainda permanece, impregnada naquelas pedras que foram tocadas pela mão de um dos homens mais puros da Terra. Senti-me um privilegiado ao tocar aquelas mesmas pedras.


A visita aos aposentos  "celas" e ao "Jardim das Rosas" cultivadas por São Francisco De Assis foi como uma viagem no tempo.

Ainda hoje, os pássaros se aninham por ali como se houvessem encontrado um lugar perfeito para habitação.

Entretanto, algo muito atual, também me emocionou até às lágrimas: Pude assistir à consagração de uma jovem que, naquele dia, fazia os seus votos de Freira, na pequena igrejinha. Como turista que era, foi-me solicitado sair do recinto para aquela cerimônia. No entanto, atendendo a um apelo interno, pedi licença para permanecer e assistir a toda a cerimônia. Ao todo, um grupo de menos de vinte pessoas ali permaneceram.

O que se passou então nunca mais vou esquecer. Foi uma cerimônia alegre e, no seu decorrer, a freirinha fez-se acompanhar ao violão para apresentar um canto que parecia ressoar dentro da minha alma. Talvez pela beleza dela pessoa e do seu canto melodioso, ficamos imantados naquele momento em que a fé calava os corações e unia nossas mentes com algo mais sublime que a simples realidade terrena. Jesus estava ali e abençoava aqueles votos.

Eu tive a certeza de que precisava estar ali, naquele momento, para participar daquele evento, algo que o tempo parecia reapresentar com novas pessoas físicas, em novas roupagens, mas que reprisava antigo espetáculo de que eu fora parte, em algum momento, nessa eternidade em que vivemos. Eu nunca pensei que poderia ter tantas lágrimas que, intempestivas, pulavam dos meus olhos sem parar.

Nem eu nem ninguém entenderíamos a objetividade de tanta emoção.

Ao fim da cerimônia, com o rosto banhado em lágrimas, como se aquela cerimônia dissesse respeito a mim próprio, apenas cumprimentei aquela moça sem dizer palavra, na certeza de que houve ali um reencontro de pessoas ou de lugar.

Talvez só eu estivesse vivendo aquela realidade, nesse plano mais extenso da vida.

Só sei que até hoje me emociono por ter ali estado, com pessoas que não conhecia e, por primeira vez, visitando a Cidade de Assis, na Itália.



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