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Espírita - Brasil

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

As Relações no Além-Túmulo



Perguntas de Allan Kardec e respostas dos Espíritos, estas colocadas entre aspas, como citação.

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"274. Da existência de diferentes ordens de Espíritos, resulta para estes alguma hierarquia de poderes? Há entre eles subordinação e autoridade? 

“Muito grande. Os Espíritos têm uns sobre os outros a autoridade correspondente ao grau de superioridade que hajam alcançado, autoridade que eles exercem por um ascendente moral irresistível.” 

a) - Podem os Espíritos inferiores subtrair-se à autoridade dos que lhes são superiores? 

“Eu disse: irresistível.” 

275. O poder e a consideração de que um homem gozou na Terra lhe dão supremacia no mundo dos Espíritos? 

“Não; pois que os pequenos serão elevados e os grandes rebaixados.” 

a) - Como devemos entender essa elevação e esse rebaixamento? 

“Não sabes que os Espíritos são de diferentes ordens, conforme seus méritos? Pois bem! O maior da Terra pode pertencer à última categoria entre os Espíritos, ao passo que o seu servo pode estar na primeira. Compreendes isto?  Não disse Jesus: aquele que se humilhar será exalçado e aquele que se exalçar será humilhado?” 

276. Aquele que foi grande na Terra e que, como Espírito, vem a achar-se entre os de ordem inferior, experimenta com isso alguma humilhação? 

“As vezes bem grande, mormente se era orgulhoso e invejoso.” 

277. O soldado que depois da batalha se encontra com o seu general, no mundo dos Espíritos, ainda o tem por seu superior? 

“O título nada vale, a superioridade real é que tem valor.” 

278. Os Espíritos das diferentes ordens se acham misturados uns com os outros? 

“Sim e não. Quer dizer: eles se vêem, mas se distinguem uns dos outros. Evitam-se ou se aproximam, conforme à simpatia ou à antipatia que reciprocamente uns inspiram aos outros, tal qual sucede entre vós. Constituem um mundo do qual o vosso é pálido reflexo. Os da mesma categoria se reúnem por uma espécie de afinidade e formam grupos ou famílias, unidos pelos laços da simpatia e pelos fins a que visam: os bons, pelo desejo de fazerem o bem; os maus, pelo de fazerem o mal, pela vergonha de suas faltas e pela necessidade de se acharem entre os que se lhes assemelham.” 

Tal uma grande cidade onde os homens de todas as classes e de todas as condições se vêem e encontram, sem se confundirem; onde as sociedades se formam pela analogia dos gostos; onde a virtude e o vício se acotovelam, sem trocarem palavra. 

279. Todos os Espíritos têm reciprocamente acesso aos diferentes grupos ou sociedades que eles formam? 

“Os bons vão a toda parte e assim deve ser, para que possam influir sobre os maus. As regiões, porém, que os bons habitam estão interditadas aos Espíritos imperfeitos, a fim de que não as perturbem com suas paixões inferiores.” 

280. De que natureza são as relações entre os bons e os maus Espíritos? 

“Os bons se ocupam em combater as más inclinações dos outros, a fim de ajudá-los a subir. É sua missão.” 

281. Por que os Espíritos inferiores se comprazem em nos induzir ao mal? 

“Pelo despeito que lhes causa o não terem merecido estar entre os bons. O desejo que neles predomina é o de impedirem, quanto possam, que os Espíritos ainda inexperientes alcancem o supremo bem. Querem que os outros experimentem o que eles próprios experimentam. Isto não se dá também entre vós outros?” 

282. Como se comunicam entre si os Espíritos? 

“Eles se vêem e se compreendem. A palavra é material: é o reflexo do Espírito. O fluido universal estabelece entre eles constante comunicação; é o veículo da transmissão de seus pensamentos, como, para vós, o ar o é do som. É uma espécie de telégrafo universal, que liga todos os mundos e permite que os Espíritos se correspondam de um mundo a outro.” 

283. Podem os Espíritos, reciprocamente, dissimular seus pensamentos? Podem ocultar-se uns dos outros? 

“Não; para os Espíritos, tudo é patente, sobretudo para os perfeitos. Podem afastar-se uns dos outros, mas sempre se vêem. Isto, porém, não constitui regra absoluta, porquanto certos Espíritos podem muito bem tornar-se invisíveis a outros Espíritos, se julgarem útil fazê-lo.” 

284. Como podem os Espíritos, não tendo corpo, comprovar suas individualidades e distinguir-se dos outros seres espirituais que os rodeiam? 

“Comprovam suas individualidades pelo perispírito, que os torna distinguíveis uns dos outros, como faz o corpo entre os homens.” 

285. Os Espíritos se reconhecem por terem coabitado a Terra? O filho reconhece o pai, o amigo reconhece o seu amigo? 

“Perfeitamente e, assim, de geração em geração.” 

a) - Como é que os que se conheceram na Terra se reconhecem no mundo dos Espíritos? 

“Vemos a nossa vida pretérita e lemos nela como em um livro. Vendo a dos nossos amigos e dos nossos inimigos, aí vemos a passagem deles da vida corporal à outra.” 

286. Deixando seus despojos mortais, a alma vê imediatamente os parentes e amigos que a precederam no mundo dos Espíritos? 

“Imediatamente, ainda aqui, não é o termo próprio. Como já dissemos, é-lhe necessário algum tempo para que ela se reconheça a si mesma e alije o véu material.” 

287. Como é acolhida a alma no seu regresso ao mundo dos Espíritos? 

“A do justo, como bem-amado irmão, desde muito tempo esperado. A do mau, como um ser desprezível.” 

288. Que sentimento desperta nos Espíritos impuros a chegada entre eles de outro Espírito mau? 

“Os maus ficam satisfeitos quando vêem seres que se lhes assemelham e privados, também, da infinita ventura, qual na Terra um tratante entre seus iguais.” 

289. Nossos parentes e amigos costumam vir-nos ao encontro quando deixamos a Terra? 

“Sim, os Espíritos vão ao encontro da alma a quem são afeiçoados. Felicitam-na, como se regressasse de uma viagem, por haver escapado aos perigos da estrada, e ajudam-na a desprender-se dos liames corporais. É uma graça concedida aos bons Espíritos o lhes virem ao encontro os que os amam, ao passo que aquele que se acha maculado permanece em insulamento, ou só tem a rodeá-lo os que lhe são semelhantes. É uma punição."

290. Os parentes e amigos sempre se reúnem depois da morte? 

“Depende isso da elevação deles e do caminho que seguem, procurando progredir. Se um está mais adiantado e caminha mais depressa do que outro, não podem os dois conservar-se juntos. Ver-se-ão de tempos a tempos, mas não estarão reunidos para sempre, senão quando puderem caminhar lado a lado, ou quando se houverem igualado na perfeição. Acresce que a privação de ver os parentes e amigos é, às vezes, uma punição.”

(LIVRO DOS ESPÍRITOS-Questões 275-290)


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