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Espírita - Brasil

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

VENDER A ALMA PARA O DIABO


Pode o homem vender a sua alma para o Diabo? 

Guimarães Rosa escreveu o livro "Grande Sertão Veredas", onde inseriu, de forma magistral, a alma brasileira refletida na cultura rural e primitiva do interior do Brasil, neste caso, nas terras entre Minas Gerais e Bahia. 

Ficou retratado nesse livro o jeito simples do brasileiro inculto que tinha na tradição oral, o único meio de cultura e de expressão de suas crenças e realidades. Daí, que o escritor narra uma história gostosa, plena da alma Brasileira, falada à beira do fogo, no lombo dos cavalos ou no troar dos rifles nas batalhas dos jagunços, onde o certo e o errado podia resultar de uma questão de contrato, concordância ou fidelidade.

A grande pergunta que ressalta dessa leitura maravilhosa é a preocupação, realidade ou dúvida, a propósito da possibilidade ou certeza de o homem poder vender a sua alma para o diabo. 

Ainda na minha infância, nesses tempos já distantes. esse tema era recorrente nas conversas ao pé da noite, hora reservado para os causos que davam medo às crianças e pavor aos adultos. Era comum alguém se referir, como verdade ou suposição, que certa pessoa vendera a sua alma para o diabo. Talvez fosse um recurso para assustar a criançada e, no pretexto, ensinar-lhes Religião. 

Entre responder sim ou não à pergunta acima, o escritor Guimarães Rosa nos presenteia com a bela história de DIADORIN e seu amor impossível, naquelas circunstâncias narradas na história...

Recorri a essa questão literária apenas para abordar o tema de que alguém possa vender a alma para a entidade "diabo" que seria o agente das forças do mal.

Falando sob conotação pessoal e consoante a orientação adotada para esse BLOG, eu afirmo que não existe essa questão de vender a alma para o diabo. No entanto, aceito que discordem à vontade, se quiserem. 

Em defesa do meu ponto de vista, inclusive, como já aqui ressaltado outras vezes, afirmo que o diabo "não existe" como Entidade Permanente, criada para o mal ou a ele convertida e que esteja, por isso, fadada a praticar o mal pela eternidade.
O que denominamos "demônios" são Espíritos como todos os outros e, dessa forma, cumprirão os ciclos de reencarnação, recebendo a oportunidade para desenvolver o amor e as virtudes para a própria elevação. Viverão em famílias, amarão e serão amados como seres humanos, momentaneamente, esquecidos da maldade antecedente.

Deus seria insipiente se criasse um ser que viria a causar a perdição das próprias almas que criou para a felicidade. E, principalmente, um ser que tivesse tanto poder sobre os humanos.

Desses que chamamos "demônios", muitos já estão fartos da prática do mal e das trevas onde vivem. São infelizes e não se libertam por medo dos seus "maiorais". Descreem da existência de Deus e da possibilidade de perdão para as suas faltas, todavia, a Divina Providência não os abandonou, eles serão resgatados e reconduzidos para a jornada da evolução espiritual. 

Vender a alma pode ter sido um tema válido para uma época de maior ignorância dos homens quanto à sua vida espiritual. Hoje, entretanto, já não se justifica tal crença, haja vista os esclarecimentos trazidos pelos Amigos de Luz, já incorporados na Doutrina Espírita.

Quem se compraz na prática do mal, já aderiu a um pacto implícito com as forças demoníacas. Pensa que age por vontade própria mas, contudo, já recebe ajuda para os seus propósitos e, por isso, será cobrado, posteriormente. 

Quem busca ajuda espiritual para obter o mal outrem, faz um pacto explícito e, provavelmente, ignora o alto preço que vai pagar. Candidata-se a uma escravidão espiritual de gravíssimas consequências.  

O certo é que há Espíritos Sem Luz  prontos para ajudar e resgatar quantos, iludidos, se aventurem por atalhos escusos para obterem os seus propósitos. Claro que essa ação estará condicionada ao livre arbítrio do próprio socorrido.

Enfim, não há a venda da alma para o diabo, mas há os que se compactuam com o mal e, em breve futuro, se converterão em escravos dessas mesmas energias das quais pensavam obter vantagens e facilidades.

Por que Deus permite que tal coisa aconteça? 

Porque cada pessoa goza do seu livre arbítrio. Cada um pode agir conforme o seu desejo, todavia, sempre estará sujeita à ação reflexiva de colher todo o mal que semear. Admitido que, ao final e à custa do próprio sofrimento, se for o caso, terá o Espírito adquirido conhecimento e evoluído mediante seus próprios erros e o correspondente esforço para corrigi-los.

Deixar o corpo na Terra e ingressar no plano espiritual, escravo das energias negativas, será algo muito ruim.  Ser atraído para as trevas e não compactuar com a maldade e o sofrimento ali existentes, será viver num verdadeiro "inferno".

Ainda que seja um "estado mental" não permanente, em termos de eternidade, o "inferno" pode ser muito mais terrível e "real" do que possamos imaginar.

Quem estiver desatento, acorde para a REALIDADE ESPIRITUAL, enquanto está à caminho!



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2 comentários:

  1. mas Deus não quis criar o demônio, Deus criou um anjo, q se voltou contra ele e fez muitos outros se voltarem contra deus, então ele vos expulsou do céu

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    1. Prezado Sr. Kevin,
      Sem atender a qualquer interesse de polêmica ou desejo de provar qualquer verdade, gostaria de enfatizar-lhe que, na linha "Espírita" que é a tônica desse Blog, não admitimos que Deus possa errar, falhar ou se arrepender de algo, relativamente a tudo que criou. Para nós Deus é Supremo e infalível!
      Como vc pode ter observado, se leu o artigo a que estamos nos referindo, é que aceitamos que os espíritos podem se afastar do Criador, pelo exercício do próprio livre arbítrio que Ele, o Pai, lhes outorgou. Errando ou acertando, o Espírito está sempre aprendendo e evoluindo e, aqueles que se detiveram na prática do mal, que alguns denominam de "DIABO" também terão o seu momento de arrependimento e de retorno aos braços do criador.
      É política deste Blog expor os preceitos espíritas para conhecimento dos que por eles se interessarem. Nosso interesse não vai além disso, para tentar descaracterizar ensinamentos de outras religiões ou para manter discussões religiosas.
      Aprecio o seu comentário! Obrigado.
      Euleir Eller

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