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Espírita - Brasil

domingo, 23 de junho de 2013

A NATUREZA DE JESUS - I

Quando se estruturou a igreja, lá pelo Terceiro Século DC, houveram por bem uniformizar muitos aspectos dos ensinamentos de Cristo, criando uma Doutrina Completa para a Igreja Cristã nascente, como instituição. Foram aparadas arestas e divergências nos usos, costumes e crenças em voga entre os  primeiros seguidores de Jesus. 

Nesse "ajuste", foram removidas dos escritos da igreja toda a referência à reencarnação, foi adotada a DIVINDADE DE CRISTO e instituída a SANTÍSSIMA TRINDADE.

Sobre a Trindade nenhuma palavra há nos evangelhos que lhe dê suporte. Entretanto, é farta, no corpo dos evangelhos, as referências à natureza de Cristo, por palavras ditas de sua própria boca, portanto, verdades que não admitem contestação ou dilação interpretativa, sem que seja, atribuir mentiras aos próprios ditos de Jesus.

Jesus sempre se declarou filho e Messias enviado de Deus e sempre disse que realizava suas obras com o poder que lhe foi conferido por Deus, ou seja, sempre se declarou um "servidor" do Pai. Nunca se declarou Deus.

O que transcrevo a seguir são ensinamentos da Doutrina Espírita, os quais, menciono aqui como matéria de estudo e esclarecimento, sem a intenção de polemizar ou derrogar os ensinamentos e o entendimento de outras pessoas, pelo muito que prezo a fé e o entendimento individual de todas as pessoas e, por decorrência, o livre arbítrio de cada um. Transcrevo:

"§ IV -  PALAVRAS DE JESUS DEPOIS DA SUA MORTE

"Jesus lhe respondeu: Não me toques, porquanto ainda não subi a meu Pai; vai, porém, ter com meus irmãos e dize-lhes de minha parte: Subo para meu Pai e vosso Pai, a MEU DEUS e VOSSO DEUS." (S. João 20:17. Aparição de Jesus a Maria Madalena.)

"Mas. aproximando-se, Jesus lhes falou assim: Todo o poder me foi dado no céu e na Terra." (Mateus 28:18. Aparição aos Apóstolos.)

"Ora, sois testemunhas destas coisas. Vou enviar-vos o dom de meu Pai, que vos foi prometido." (Lucas 24:48 e 49. Aparição aos Apóstolos)

Tudo, pois, nas palavras de Jesus, quer as que ele disse em vida, quer as de depois de sua morte, acusa uma dualidade de entidades perfeitamente distintas, assim como o profundo sentimento de sua inferioridade e da sua subordinação em face do Ente Supremo. Pela sua insistência em afirmar-se, espontaneamente, como alguém que servia a Deus, sem a isso ser constrangido ou provocado, parece haver Jesus pretendido, de antemão, deixar claro entendimento sobre o papel de Deus que lhe seria atribuído, no futuro. Se Ele houvesse guardado silêncio sobre a sua personalidade, o campo estaria aberto a suposições e interpretações. Entretanto, a precisão da sua linguagem afasta qualquer incerteza.

Que autoridade maior se pode pretender, do que a de suas próprias palavras? Quando ele diz categoricamente: eu sou ou não sou isto ou aquilo. Quem ousaria arrogar-se o direito de desmenti-lo, embora para coloca-lo mais alto do que ele a si mesmo se coloca?  Quem pode racionalmente pretender estar mais esclarecido que Ele sobre a sua própria natureza? Que interpretações podem prevalecer contra afirmações tão formais e multiplicadas como estas:

"Não vim de mim mesmo, mas aquele que me enviou é o único Deus verdadeiro... Foi de sua parte que vim... Digo o que vi junto a meu Pai... Não me cabe a mim vo-lo conceder; isso será para aqueles a quem meu Pai o preparou... Vou para meu Pai, porque meu Pai é maior do que eu... Porque me chamas bom? Bom não há senão somente Deus...  Não tenho falado por mim mesmo; meu Pai, que me enviou, foi quem me prescreveu, por mandamento seu, o que devo dizer... A doutrina que prego não é minha, mas daquele que me enviou. A palavra que tendes ouvido não é minha, mas de meu Pai que me enviou... Nada faço de mim mesmo; digo unicamente o que meu Pai me ensinou... Nada posso fazer de mim mesmo... Não cuido de fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou... Meu Pai, nas tuas mãos entrego a minha alma... Meu Pai, se for possível, faze que de mim se afaste este cálice... Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus".

Quando se lê tais palavras, fica-se a perguntar como há podido vir, sequer, à mente de alguém a ideia de atribuir-lhes sentido diametralmente oposto ao que elas exprimem tão claramente, de conceber uma identificação completa, de natureza e poder, entre o Senhor e aquele que se declara seu servidor. Nesse grande processo, que já dura há quase quinze séculos, quais as peças de convicção? Os evangelhos não há outras - os quais, no ponto de litígio, não dão lugar a qualquer equívoco. A documentos autênticos, que não se podem contestar, sem arguir de falsa a veracidade dos evangelistas e do próprio Jesus, documentos que se apoiam em testemunhos oculares, que é que contrapõem? Uma doutrina teórica puramente especulativa, nascida três séculos mais tarde, de uma polêmica travada sobre a natureza abstrata do Verbo, doutrina essa rigorosamente combatida durante muitos séculos e que só prevaleceu pela pressão de um poder civil absoluto."

Do livro: Obras Póstumas - Allan Kardec - Ed. Virtude Livros.

(Os grifos e destaques são de autoria do blog)





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