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Espírita - Brasil

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Dedicação Profissional

Eu tive todas as doenças comuns das crianças do Século passado: Sarampo, catapora, caxumba, etc. Somente nos anos de 1950, lá no interior de Minas Gerais, começaram a surgir as vacinas de B.C.G. e de varíola.

O ano de 1950 ficou marcado em minha vida exatamente por um fato médico que ocorreu nos meses agosto e setembro daquele ano. Era 18 de agosto, dia do meu aniversário, quando senti dores fortes e, quase em seguida, já nem podia andar. Com muita dificuldade me locomovi até à enfermaria do Colégio Interno, a qual se resumia a um quarto com uma cama, sem qualquer outro apetrecho de uma enfermaria.


Eu estava com o lado direito paralisado, da cintura para baixo e, para azar maior, estava com uma infecção do joelho esquerdo que me impediu, também, de pular sobre a outra perna e me locomover com um "saci".


Entre adoecer e ser operado, figuei um mês e vinte dias sem qualquer locomoção própria. Naquela época, tudo era precário e nem sequer se cogitava de haver uma cadeira de rodas para tais situações.

Foi horrível depender de pessoas - nem sempre disponíveis - para todas as minhas necessidades básicas. Só quem passou por uma situação similar pode avaliar do que estou falando. Quando fui internado na Santa Casa, muitos dias depois, já melhorou um pouco pois havia enfermeiras com quem contar, apesar de serem apenas duas para uma enfermaria lotada.

Tardou um pouco a cirurgia. Naquele tempo não haviam os recursos de imagem que hoje permitem diagnósticos rápidos e nem os exames laboratoriais da atual rotina pré-operatória.  A novidade da época ainda a era a famosa Abreugrafia, inventada pelo Dr. Abreu, médico de Juiz de Fora que, aliás, nunca tirou patente do seu invento e nem recebeu qualquer direito pela utilização mundial da sua nova tecnologia.

Foi no curso dessa doença que cheguei a receber a Extrema-Unção a que me referi em escrito anterior.

Após o estudo do meu caso e a avaliação por uma equipe médica, eu fui operado pelo Dr. Deusdaith, na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora-Mg, no dia 20 de setembro, um mês depois de adoecer.

No entanto, outro fato inusitado marcaria o evento dessa operação, dessa vez, um fato inesperado e doloroso vivido pelo meu médico e do qual me tornei parte involuntária.

Devidamente preparado - no que se inclui jejum prévio e lavagem intestinal -  fui levado para o Centro Cirúrgico e já estava imobilizado e preparado para a inalação do anestésico, quando a operação foi suspensa.  A filha do médico que me operar estava doente e necessitava da sua presença.  No dia seguinte, todo o procedimento se repetiu e, novamente, a operação fui suspensa porque a filha do médico acabara de falecer.

Dando como incerta a operação para o dia seguinte, as enfermeiras não me prepararam para a cirurgia, naquele dia, e até me deram os alimentos da manhã. Foi um corre-corre quando veio a ordem para me conduzirem ao Centro Cirúrgico. Lá, sem saber do risco, confirmei para os médicos que eu estava em jejum, como me orientara a enfermeira, ela receosa por perder seu emprego.

Fui operado pelo Dr. Deusdaith que, certamente, estava ainda sob o doloroso impacto do sofrimento de haver se despedido da própria filha que falecera.

A operação foi um sucesso e reaprendi a andar uns 15 dias depois...

Sempre me lembro, com muita gratidão, da atuação profissional desse médico e agradeço a Deus pela sua dedicação profissional que, para mim, ficou acima de qualquer expectativa.  

Deus o abençoe! 

Onde estiver, que ele possa receber toda a ajuda que necessitar!


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