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Espírita - Brasil

sábado, 18 de junho de 2011

BENÇÃO AOS ENFERMOS - EXTREMA UNÇÃO


O Hospital:

Por muito tempo, eu pensei que o Padre ali estava , apenas, para encaminhar, para os cuidados dos seres celestes - anjos e santos - a alma da criança, prestes a morrer, para encaminhar a alma ao seu destino final. A criança enferma, no caso, era eu.

A verdadeira compreensão só alcancei quando, recentemente, o Geraldo Cosendey, meu amigo de Alto Caparaó, católico, explicou-me que a extrema unção é uma bênção para o enfermo, numa última rogativa pela vida e pela saúde.

Corria o ano de 1950. Estávamos nos primórdios da moderna medicina, quando a anestesia ainda era o clorofórmio, aplicado com uma máscara para respiração e a penicilina era a eufórica novidade do pós-guerra.

Após duas cirurgias e alguma complicação, eu mesmo já via as coisas ficando esquisitas para o meu lado, mesmo sendo, ainda, uma criança. O pessoal inculto da roça, quando comentava sobre alguém muito enfermo, costumava dizer: “O fulano está vendo a avó pela greta”. 

A falta de cuidados médicos preventivos, de hospitais e o desconhecimento das doenças faziam com que nossos avós morressem muito cedo, até mesmo antes dos netos nascerem. Ver a avó pela greta significava, portanto, que ela, a vovozinha do indigitado, já estava do "outro lado", esperando... 

Esse era o meu caso, mas não cheguei a ver nenhuma das minhas vovozinhas, até porque, não tinha delas lembrança: Uma eu nem cheguei a conhecer e da outra nem me lembrava direito, pela tenra idade que tinha, ao seu tempo de vida.

Fui levado para o quarto reservado para as crianças com risco iminente de morte. Essa providência pouparia as demais crianças internadas de presenciarem a morte de um coleguinha da cama ao lado. Naquele tempo, não havia, ainda, as Unidades de Tratamento Intensivo-UTI que hoje, também, cumprem esse papel.

Levaram-me para aquele isolamento, de onde as crianças raramente voltavam. Minha sorte era que eu ainda não havia me “tocado”, claramente, desse detalhe.


A Extrema Unção:


O padre chegou e, carinhosamente, falou-me do sacrifício de Jesus Cristo, na Cruz, para que as nossas almas fossem resgatadas para o céu. Perguntou se eu havia sido batizado e se sabia as orações do Padre Nosso e da Ave-Maria. Respondi que sim. Falou de outras coisas que, na verdade, eu não compreendia muito bem, mas que, por via das dúvidas, eu disse a ele que entendia tudinho. Pensei que seria melhor responder assim.

Seguiram-se algumas preces em “Latin” das quais eu não entendi uma só palavra. No final, ungiu-me a testa com óleo, nela traçando o sinal da cruz. Parece que aspergiu algo sobre a minha cabeça também. Eu segurava sobre o peito um crucifixo muito bonito, conforme o padre pedira. Devia ser uma cruz de níquel ou de aço inoxidável, pois me lembro que era reluzente e bem pesada.

Eu nem sabia, mas tinha acabado de receber a extrema unção, ou melhor, eu havia recebido a “Bênção dos Enfermos”, como me o meu amigo Geraldo. Aquela bênção me fez muito bem. Percebi, durante aquela oração, que me envolvia uma atmosfera de calma e de muita paz.  Adormeci.


A Recuperação:

De uma coisa eu tive certeza: A oração daquele santo homem, que falava com Deus, numa língua estranha, em muito me ajudou. Em menos de dois meses eu já estava na correria com os moleques no futebol, no pique, na bandeirinha e no chicotinho queimado.


Agradecimento:

Peço a Deus que ilumine a alma daquele sacerdote católico que intercedeu pela minha vida, em última instância, na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, Minas Gerais. E que ele receba de Deus, multiplicadas, as bênçãos que espalhou pelo mundo, como nesse meu caso.

Por isso, eu tenho sempre em mente as palavras do Apóstolo Tiago:

“Orai uns pelos outros, para que sareis. A Oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.” Tiago 5:16.


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4 comentários:

  1. Eu sempre digo que sua vida daria um belo livro... Quem sabe esse não é um cap~itulo dele rsrs

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  2. Alex (Filhão),
    Livro ou não vou continuar escrevendo. Aliás, penso mesmo que todas as vidas mereceriam um livro, a minha não é diferente. A velhice sadia, desocupada, é um convite para ler e para escrever, duas formas de lazer.
    Desses escritos, uma parte da culpa é sua, foi você que criou este Blog e me estimulou a escrever. Espero que não se arrependa do conselho.
    Euleir

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  3. Obrigado por compartilhar suas experiências de vida conosco. Me lembrei de vó Hilda.... que sempre nos contava sobre sua vida.

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  4. Valeu Paulo.
    Todos têm histórias para contar. Nós, os velhos, temos mais do que os outros porque já vivemos muito mais. Difícil é os "novos" quererem escutar. kkk.
    Eu mesmo ando apressado para ver se dá tempo de contar algumas coisas. Se ninguém ler, pelo menos, economizei no analista.

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