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Espírita - Brasil

sexta-feira, 3 de junho de 2011

ZÉ MARIA - ESPIRITISMO E PIRÃO DE PEIXE.



Volto a falar do Zé Maria, amigo de fé: Da fé espírita e das pescarias...
Pois é, além das coisas mais sérias, foi com o Zé Maria que aprendi a pescar de mão e a fazer pirão de peixe. Aliás, aprendi a fazer e a gostar dessa iguaria.

Na primeira vez que o Zé me convidou para comer um pirão de peixe, eu fui... com muitas reservas. Até àquela época só conhecia o pirão de caldo de galinha, muito presente na minha infância, lá nas Minas Gerais.

Chegamos à casa dele e lá não havia qualquer sinal de comida. Estranhei. Só vi panelas vazias sobre o fogão. A casa ficava às margens do Rio Paraíba do Sul, em sua foz, na aprazível praia de Atafona.

Ele trocou a roupa de serviço por um calção velho e disse: Vamos ali pegar os peixes. Ainda bem que havia uma peixaria - casa de pescador - bem ao lado da sua casa. Pensei, vamos ali comprar os peixes.

Nada disso, na casa do pescador, ele apenas  pediu emprestado um pequeno barco e lá fomos nós, uns 15 metros rio acima, onde a margem se formava num barranco cheio de raízes das árvores ribeirinhas.

Lá chegando,  ele me entregou o balde que trouxera de casa e disse: Vou precisar da sua ajuda para não deixar o barco se afastar na correnteza e para colocar os peixes no balde. Dito isso, mergulhou no rio e voltou, em seguida, já com um belo peixe na mão.

Nem deu tempo de manifestar minha estranheza com aquele método de pescaria e já ele mergulhara de novo nas águas do rio. Dessa vez, voltou com dois peixes, um preso nos dentes e outro numa das mãos. Foi logo dizendo: puxa!  Me escapou o terceiro quando ia segurá-lo na outra mão. Em pouco mais de 5 minutos tínhamos suficiente peixe para o pirão de toda a família.

De volta à casa, limpou rapidamente os peixes no tanque de lavar roupa que havia na varanda dos fundos. Enquanto fazia o trabalho ia me explicando: É muito fácil pegar peixes com as mãos. Eles moram em tocas na barranca do rio. Você se aproxima e coloca a mão na entrada do buraco tapando-o para não fugirem. Feito isso, você mete a mão lá dentro e pega o peixe. O peixe não foge porque pensa que você também é um peixe. Nem precisou me dizer que a pessoa precisa mergulhar bem para fazer isso lá debaixo da água, no meio das raízes das árvores ribeirinhas.

Cortado os peixes em postas, passou a cozinhá-los com tomate, cebola e pimentão, juntando os temperos: coentro, cebolinha, sal  e pimenta. Na primeira fervura retirou o peixe. O peixe cozinha muito rápido, disse ele, é preciso que as postas permaneçam inteiras.  Com o caldo ele preparou o pirão.

O Pirão foi mais fácil ainda de fazer. Se o caldo estiver fervendo, coloque um pouco de água fria para cessar o ponto de fervura, explicou. A farinha de mandioca deve ser colocada (aspergida), lentamente, sobre o caldo, mexendo sempre, no mesmo sentido, até encorpar. Quando começar a ferver surgirão pequenas bolhas de ar na superfície. Nesse ponto,  desliga-se o fogo e mexe-se um pouco mais. Não pode parar de mexer porque senão agarra no fundo da panela e dá gosto de queimado. Nessa altura, coloca-se um filete de azeite por cima, para dar sabor.

Comer o peixe com o pirão e o arroz, feito na hora, foi a melhor parte. Uma salada de tomate “caiu muito bem” e completou a refeição.

Ah! Aprendi a pescar de mão em outro dia. Outra aula prática. Outro pirão de peixe, dessa vez com peixe que também pesquei. Chega por hoje porque já me deu água na boca.


Obrigado, Zé Maria! Meu professor de pescaria e de pirão de peixe. Qualquer hora dessas volto aí para um novo pirão, mas, em nossa idade atual... melhor eu comprar o peixe... já limpo, com certeza!


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Um comentário:

  1. Saudades do Zé Maria e da turma reunida na varanda para para petiscar pitú, camarão e outras delícias da praia de Atafona, como o picolé de S.J.da Barra.
    Para o Zé Maria, um abraço da
    Thereza H. Eller

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