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Espírita - Brasil

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Colcha de Retalhos

COLCHA DE RETALHOS

Cada vida, a minha e a sua, é uma colcha de retalhos. Uma colcha comum: retalhos de alegria, tristeza ou esperança, como é normal na vida de cada um.

O primeiro recorte é o amor dos primeiros dias - amor-dependência, amor-referência, amor de mãe  - ao ser que fez nascer. Esse amor que apenas percebi já era, em si, suficiente razão para o meu existir.

Ainda sem compreender direito, já está posto o segundo retalho: um lar desfeito. Longe do anjo-mãe que cuidava e, incondicionalmente, amava, esse pedaço do tempo se bordou com as cores da solidão, do medo de não pertencer, nessa tristeza que foi, então, primeiro entendimento de viver e de perder.

O terceiro retalho: A puberdade somou-se ao lar desfeito-refeito e trouxe consigo as primeiras dúvidas e incertezas. O sexo, força nova surgida, nem de longe conhecida, trouxe o amor imperfeito da hora, objeto e lugar mas, irresistível, na forma de encantar.

Ah! O primeiro beijo no rosto, o sono difícil de reatar, frente ao retrato, três por quatro, do outro ser que vinha e, na mente, insistia em ser companhia, na hora de deitar, dormir e sonhar. Esse retalho foi bordado em sonhos puros, bonitos, porém, inseguros. Como será ser adulto, ter família, casa, filhos pra sustentar? Um retalho lindo, porém confuso, sonhos mil na paixão quase infantil do primeiro amor que assalta, que traz inquietação, esperança e muita insegurança. Estava certo o poeta: Como definir, o que eu só sei sentir?

Vida que segue... uma colcha por montar, cerzir, costurar e bordar.

O alistamento militar, compulsório, se fez passaporte obrigatório para o quarto retalho: da vida adulta o primeiro bordado. Cortinas que abrem em nova realidade e, num segundo, uma visão que se expande para além do que era mundo: lar e companheiros para brincar. Foi como subir a montanha para, de lá lançar um novo olhar, percebendo outros  caminhos e pessoas que na luta do viver e caminhar.

Novos retalhos que montar. Muito colorido em pedaços de tecido: Muita gente, amiga ou indiferente, namoradas de ficar e namoradas com vontade de noivar. Coisa complicada: sua paquera que queria com outro namorar. E, ainda, lhe conta com os olhos a brilhar. O que fazer? Nada! No fim das contas, nada a ver, riso disfarçado desse amor encantado, impreciso, irreverente, inconstante, disperso, perto, distante... Vai entender! Sem ter notado, a experiência seguiu ao meu lado, na ciência do aprendizado.

Não mais que de repente, sutilmente, surge alguém que  lhe rouba o coração. E você, um cara seguro, estanca em apuro, coração que palpita e, com ele, um ser que se agita, será um pulo no escuro?  Como é casar? Pergunta e ninguém sabe ou quer explicar...  Complicou-se a brincadeira, como é isso? Antes alegria agora compromisso!

E lá se foi o seu coração, bater meio sem jeito, colado em outro peito, entregue com devoção por sua própria mão. Já está bordado e colocado um valioso pedaço dessa colcha de retalhos, que você foi tecendo com sentimento, sem perceber, com a emoção e as cores do viver.

Tantos são os retalhos, impossível seria enumera-los! 

Então o amor se concretiza e a primavera já é mais linda. Você espia as flores, sente o perfume e se enleva em suas cores. E, como de poeta e de louco todos nós temos um pouco, você arrisca o verso:

No jardim dos amores
Nossos beijos são flores.
Nossos filhos frutos.
Deles o licor, néctar do amor.

A vida pinta e borda, parece ser o próprio tecelão, você nem se dá conta que escolheu cada retalho com as cores da emoção. Você assume o comando ou não, sempre será levado de roldão. A vida não pede licença, segue acontecendo por estrada ou por atalho e você sempre vai seguindo, tecendo, enorme colcha de retalho.

Cada filho um retalho, cada neto um retalho de outro retalho, com as próprias cores e seus amores, sorvetes de muitas frutas, muitos sabores. No fim, a grande colcha onde muitos se abrigam, se agasalham, se aninham... se acarinham.


Eu... sigo vivendo, a cada dia um pouco mais tecendo.


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