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Espírita - Brasil

domingo, 16 de setembro de 2012

Eu sou Mineiro. Muito Prazer em Te Conhecer!


Eu nasci num lugar mágico!


Lá, a lua não nasce,  apenas sai detrás da montanha onde  se escondia do dia e aguardava para entrar em cena, com toda pompa, para causar “frisson” nos corações enamorados, distraídos e embebidos, enfeitiçados pelas artes do amor.

E ela, a Lua, no céu desliza de mansinho como, à luz de velas, um suave carinho, com receio, talvez, de acordar os passarinhos que, já silenciado o canto, em seus ninhos, renovam energias para de novo cantar, viver e emocionar.

Nasci na “roça”, piso de chão, casa de “pau-a-pique”, uma casinha-palhoça, o primeiro lar. Ao primeiro choro, no regaço materno acolhido, amor perfumado com cheiro de terra e de mato, a beleza desse amor de mãe que melhor representa o amor-natureza.

O jeito matuto logo se impôs, um jeito de ser, de ver e de amar as coisas simples da vida, de outra forma até difícil de serem percebidas. Quem sabe do correr macio das águas entre as pedras, daquele murmúrio inocente do filete cristalino, água corrente que descendo a serra, logo mais à frente, já é rio caudaloso, imponente, sangue da terra correndo, vidas criando e mantendo, para chegar ao mar e a ele, sem reservas, se entregar? A borboleta, em voo encantado, há pouco deixou o velho casulo escuro. O bichinho no andar distraído, come algo aqui e ali e apenas sabe o caminho de volta para a toca. Essas são coisas que para serem notadas e apreciadas, só de perto, estando ao lado, participando, como definido no verso do poeta: “vai oiando coisa a grané, coisa que pra mode vê, o cristão tem que andar a pé” - Luiz Gonzaga (pai), na linda canção "Estrada de Canindé".

A palavra saudade que traduz lembrança e sentimento não é suficiente para definir essa lembrança das origens, a qual mistura tristeza e alegria e cria essa tão "doce" melancolia.

Escrevi isso só pra dizer "pro ceis" que eu nasci numa terra encantada, lá em Minas Gerais. O meu jeito caboclo, a mineirice do falar, a calma, o gosto da comida com o tempero do amor, do lar, são marcas tatuadas na alma, refletem uma maneira de ser - uma forma de viver.

Entre vales, montanhas e o céu azul - mais perto da terra que já vi - deixei porções mim quando saí: a amizade em muitos, fragmentos de  amores e a saudade que mais veio do que ficou. Não apenas o meu umbigo ficou lá enterrado, o choro primeiro, os passos vacilantes de um futuro caminhante e as primeiras batidas do coração, também ficaram gravadas, para sempre, naquele chão.

De vez em quando, é preciso voltar a Minas, rever as matas, de flores cobertas, na primavera. O fruto na árvore e a sombra para o descanso um chamado. Recarregar energias nas pedras, na terra, no ar, naquele céu estrelado que, ao mineiro, faz sonhar acordado.



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